Quarta-feira, 01 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de abril de 2026
Com os avanços da medicina, bebês prematuros (antes de 37 semanas) ou com baixo peso ao nascer (menos de 2,5 quilos) estão sobrevivendo mais do que nunca. Esse aumento nas taxas de sobrevivência reflete melhorias significativas no cuidado neonatal, incluindo tecnologias mais avançadas e protocolos clínicos mais eficazes. Entretanto, pesquisadores do Reino Unido e da Holanda, em novo estudo, mostram que essas pessoas podem enfrentar desafios significativos à medida que crescem, especialmente em áreas relacionadas ao desenvolvimento cognitivo e ao desempenho educacional.
O estudo, publicado na revista JAMA Pediatrics, é uma revisão de 40 trabalhos de grande escala que abrangeu milhares de indivíduos de diferentes contextos e períodos. A análise consolidada desses dados revelou que nascer prematuro ou com baixo peso está associado a pontuações de QI mais baixas e a resultados educacionais piores, tanto durante a vida escolar quanto na vida adulta. Os achados reforçam a consistência dessa associação ao longo do tempo e em diferentes populações.
A equipe de pesquisa analisou cinco diferentes fases da vida – desde bebês com menos de dois anos até adultos com mais de 18 anos –, permitindo uma visão abrangente do impacto ao longo do desenvolvimento. E descobriu que, em particular, bebês nascidos antes de 28 semanas ou com menos de 1 kg apresentaram, em média, maiores desvantagens acadêmicas do que bebês nascidos a termo e com peso normal, indicando que quanto mais precoce o nascimento e menor o peso, maiores tendem a ser os efeitos observados.
A disciplina mais afetada foi matemática, com lacunas significativas nas habilidades de cálculo e resolução de problemas, o que pode influenciar o desempenho em outras áreas do conhecimento que dependem dessas competências. Diferenças acentuadas também foram observadas em leitura, compreensão, ortografia e identificação de palavras, sugerindo um impacto mais amplo nas habilidades linguísticas e cognitivas.
Esses desafios eram mais visíveis durante o ensino fundamental, período em que as demandas acadêmicas começam a se intensificar, e diminuíam um pouco durante a adolescência, possivelmente devido a intervenções educacionais ou adaptações individuais. No entanto, algumas dessas dificuldades de aprendizagem reapareciam na idade adulta, indicando que os efeitos podem não ser completamente superados ao longo do tempo.
“Essas desvantagens geralmente aumentavam com a idade gestacional mais precoce e o menor peso ao nascer. Embora algumas associações parecessem atenuar durante a adolescência, observou-se evidência de desvantagens persistentes na idade adulta para diversos desfechos”, escreveram os autores, ressaltando a continuidade dos impactos ao longo da vida.
Os pesquisadores acreditam que suas descobertas mostram que o impacto de nascer prematuro ou com tamanho muito abaixo da média pode ter consequências para toda a vida, influenciando não apenas o desempenho acadêmico, mas também oportunidades futuras.
E esperam que, com os resultados, possam contribuir para um melhor acompanhamento clínico desde os primeiros anos e para práticas educacionais mais adequadas às necessidades desses indivíduos. “O parto prematuro e o baixo peso ao nascer estão associados a desvantagens cognitivas e educacionais duradouras, o que destaca a necessidade de apoio e intervenção precoces”, destacam os pesquisadores.
O estudo não abordou outros fatores que podem estar relacionados ao desenvolvimento da aprendizagem, como acesso e qualidade escolar, contexto socioeconômico e estímulos familiares e ambientais, que também podem desempenhar um papel importante nos resultados observados. (Com informações do jornal O Globo)