Sábado, 22 de junho de 2024

Prêmio Nobel de Medicina vai para cientistas que desvendaram como nosso corpo sente frio, calor e pressão na pele

O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2021 foi para o americano David Julius e para o libanês Ardem Patapoutian (naturalizado americano) por suas descobertas que explicaram as sensações de temperatura e toque no organismo. Os dois foram responsáveis por apontar os receptores celulares que alertam e transmitem no sistema nervoso a presença de frio, calor e pressão na pele.

Conhecido como sistema somatossensório, o esquema explicado pelas teorias dos dois cientistas está por trás da dor, da autopercepção do corpo e outras funções essenciais do organismo.

Para encontrar o receptor de calor em neurônios, Julius usou a capsaicina, a substância presente em pimentas que causa a sensação de ardência. O cientista consegui identificar que, na verdade, a picância era provocada quando essa molécula se conectava a uma outra que fica na superfície dessas células nervosas, batizada com a sigla TPRV1. Essa conexão desencadeava a sensação de queimadura e dor.

Mais tarde, Julius e Patapoutian usaram o mentol, substância ativa da menta e do hortelã, para descobrir o TPRM8, o recepetor celular que é responsável por captar e transmitir a sensação de frio. O americano publicou seus primeiros trabalhos sobre o tema na década de 1990, como professor da Universidade da Califórnia em San Francisco. Patapoutian anunciou suas primeiras descobertas na mesma época, quando trabalhava no Instituto Scripps, de La Jolla, também na Califórnia.

Patapoutian, além de trabalhar com os receptores relacionados a temperatura, descobriu os receptores PIEZO1 e PIEZO2, presentes em células que são sensíveis ao movimento e ao estímulo mecânico que ocorre quando há pressão na pele.

Transtornos nervosos

Em comunicado que justificou a escolha dos dois cientistas como receptores do prêmio, a Fundação Nobel afirmou que os trabalhos dos dois cientistas lançou as bases da pesquisa em fisiologia que permitiu muitos avanços na compreensão de transtornos nervosos que envolvem esses mecanismos.

“Nossa habilidade de sentir calor, frio e toque é essencial para a sobreviência e embasa nossa interação com o mundo ao redor”, disse a instituição. “A intensa pesquisa atual que se originou das descobertas dos vencedores do prêmio Nobel deste ano se concentra em elucidar suas funções em uma variedade de processos físicos. Esse conhecimento está sendo usado para desenvolver tratamentos contra diversas doenças e transtornos, incluindo a dor crônica.”

Falando à Rádio Suécia, Julius disse ter ficado surpreso com o anúnio.

“Ninguém espera que isso aconteça. Eu achei que era uma pegadinha”, afirmou o cientista.

Mais tarde, em entrevista coletiva, Julius afirmou que, apesar de suas descobertas, o campo de pesquisa precisa avançar mais, sobretudo na frente das aplicações do conhecimento

“Todos nós sabemos que realmente existe uma falta de medicamentos e abordagens para tratar dor crônica. Acredito que precisamos de novos insights e novas ideias para tratar dor, tanto farmacologicamante quanto de outras formas, e acho que nosso trabalho vai contribuir para isso”, disse.

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