Domingo, 25 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de outubro de 2026
Você já ouviu falar naquela máxima de que “de perto ninguém é normal”? É aquela história: quando conhecemos alguém mais a fundo, descobrimos que todo mundo tem manias e esquisitices, até o presidente do país. Com ajuda do jornalista Rodrigo Vizeu, autor do livro “Os Presidentes” e do podcast Presidente da Semana, foram mapeadas algumas curiosidades que marcam a trajetória presidencial brasileira.
Primeirão
Deodoro da Fonseca (1827-1892) foi o primeiro presidente do Brasil. Faz tempo, viu? No máximo, seus bisavós já eram nascidos na época. Ele era marechal do Exército quando participou da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Foi aí que deixamos de ter família real e viramos uma República, quando um povo elege seus representantes.
Deodoro era, na verdade, bastante amigo do último imperador brasileiro, dom Pedro 2º. Numa carta que escreveu a um sobrinho, disse o seguinte: “República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal-educados para tornarem-se republicanos. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela”.
Só de última hora mudou de ideia, e o resto é história. Ah, e o marechal sempre passava perfume de violetas na vasta barba que tinha. Não dá para dizer que ele não era flor que se cheire.
Falem mal, mas falem de mim
Hoje, se alguém quiser zoar um presidente ou criticar um ato dele, pode postar um meme nas redes sociais ou algo do tipo. No passado, isso aconteceria de outra forma, afirma Vizeu, nosso expert em presidentes. “Seria por meio de charges, notinhas maldosas nos jornais e nas revistas ou simplesmente pela boa e velha maledicência.”
Rodrigues Alves (1848-1919), nosso quinto presidente, ganhou o apelido de Soneca e era desenhado por chargistas de pijama porque tinha fama de dorminhoco, adquirida em parte “pelo simples fato de ser uma pessoa que gostava muito de ficar em casa”, diz Vizeu.
Diziam que Costa e Silva (1899-1969), um dos cinco militares que comandaram o Brasil na ditadura, não era lá muito chegado ao hábito da leitura. Teria inclusive dito a um marechal com um livro debaixo do braço que aquilo era uma perda do tempo, e que ele próprio só fazia palavras-cruzadas.
Vizeu lembra que Hermes da Fonseca (1855-1923) “era outro que tinha fama de pouco agraciado por inteligência”, além de ser considerado um baita pé-frio.
Seu mandato, que começou 116 anos atrás, coincidiu com vários episódios negativos: crises econômicas, a morte da sua primeira esposa e até uma viagem a Portugal que coincidiu com a queda da monarquia portuguesa.
Jornais o apelidaram de Dudu Urucubaca. Tinha até marchinha de Carnaval tirando sarro: “Ai Filomena, se eu fosse como tu/Tirava a urucubaca da careca do Dudu”.
“Às vezes a coisa descambava para o puro e simples bullying com características físicas dos presidentes”, diz Vizeu. Arthur Bernardes (1875-1955) ganhou o apelido de Seu Mé, também numa marchinha carnavalesca, porque tinha o rosto longo e fino, que nem um carneiro. Daí o méééé.
Castelo Branco, presidente na ditadura, era chamado de Quasímodo (o corcunda de Notre Dame), por ser baixinho, cabeçudo e sem pescoço.
As marchinhas de Carnaval eram mesmo implacáveis com a turma presidencial. Eurico Dutra (1883-1974) foi alvo de uma marchinha por trocar o “c” pelo “x” na hora de falar. O nome? “Voxê que Xabe.”
Baixaria!
O título de mais alto é de Jair Bolsonaro, com seu 1,85 m, mas a turma dos presidentes baixinhos é forte. Getúlio Vargas (1882-1954) era um dos menores, com altura estimada entre 1,60 m e 1,62 m. Há 11 mandatários que perdem nesse quesito para a única mulher da turma, Dilma Rousseff, que tem 1,68 m.
Santinha
Dutra conheceu sua mulher na casa do avô de um futuro presidente, Fernando Henrique Cardoso. O nome dela era Carmela, mas o que pegou mesmo foi seu apelido: de tão católica que era, virou Dona Santinha. Dizem que foi por causa dela que Dutra ordenou, em 1946, o fim dos jogos de azar e fechou todos os cassinos do país.