Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026

Presidente da Câmara dos Deputados chama o ministro das Relações Institucionais de “desafeto pessoal” e “incompetente”; aliados do governo avaliam que as críticas foram motivadas pelo enfraquecimento da candidatura de seu preferido à sucessão na Casa

Aliados do governo avaliam que as críticas do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foram motivadas pelo enfraquecimento da candidatura do líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA), à sucessão na Casa, após o plenário manter a prisão de Chiquinho Brazão.

Lira chamou Padilha, de “desafeto pessoal” e “incompetente” – essa foi a manifestação mais dura do deputado que não mantém boa relação com o governo, desde o início da gestão Lula.

Já entre os deputados vinculados a Lira há convicção de que a reação do presidente da Câmara se deu por interferência de Padilha em assunto interno do Parlamento.

A avaliação de aliados de Lira é a de que Padilha rompeu uma regra de independência entre os Poderes ao ligar para parlamentares com o objetivo de convencê-los a votar para manter a prisão de Chiquinho Brazão, apontado como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 2018.

Ligações

Aliados do presidente da Câmara afirmam que, até a manhã da quarta-feira (10), o Planalto havia se mantido fora do assunto, mas, durante a votação na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, Padilha começou a telefonar para deputados pedindo que votassem para manter Brazão preso.

Além disso, esses aliados dizem que Lira garantiu que os partidos do Centrão poderiam liberar suas bancadas na hora da votação e negam que o presidente da Câmara tenha atuado para soltar Brazão. Destacam que a discussão no plenário foi rápida porque Lira estava preocupado com a imagem da Casa se houvesse bate-boca.

A própria bancada do PP votou dividida. A ideia de Lira, ressaltam, era garantir que cada parlamentar votasse de acordo com sua opinião. Por isso, descartam que ele tenha saído derrotado do episódio. A avaliação é de que o presidente da Câmara não saiu a campo a favor de nenhum resultado específico na análise da prisão de Brazão. Além disso, dizem que a votação apertada na Câmara reflete uma insatisfação da Casa com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Governistas, por outro lado, avaliam que o enfraquecimento de Elmar irritou Lira. A estratégia do Centrão, segundo integrantes da base aliada do Planalto, era soltar Brazão como um recado ao Supremo, o que também mostraria fragilidade do governo.

Lira foi questionado sobre notícias de que ele teria se enfraquecido com a manutenção da prisão do deputado acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. Parte do Centrão, seu grupo político, tentou reverter a decisão, mas sem êxito.

“É lamentável que integrantes do governo, interessados na instabilidade da relação harmônica entre os Poderes, fiquem plantando essas mentiras, essas notícias falsas que incomodam o Parlamento. E, depois, quando o Parlamento reage, acham ruim”, disse o presidente da Câmara, em entrevista coletiva em Londrina (PR).

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Presidente da Argentina se encontra com Elon Musk e oferece ajuda para o X, antigo Twitter, na disputa da plataforma contra o Supremo no Brasil
Ministro Padilha diz que não vai “descer ao nível” do presidente da Câmara dos Deputados e cita Emicida: “Rancor é igual tumor”
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play