Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Presidente da Comissão Europeia afirma que o bloco negocia acordo de terras raras com o Brasil

A União Europeia também entrou na disputa global pelos minerais críticos do Brasil. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco negocia um acordo para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — insumos considerados estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e a segurança geopolítica.

A declaração foi feita durante a cerimônia que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo dos últimos 25 anos (o acordo comercial é amplo, envolve diversos itens, e é distinto da negociação sobre terras raras). Conforme von der Leyen, a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados.

“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, afirmou.

O aceno europeu ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país. No discurso, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–UE como um arranjo de “ganha-ganha” e encerrou a fala em português.

“Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, disse, antes de se despedir.

As terras raras — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares — estão no centro de uma corrida geopolítica. Enquanto a China domina o refino e o processamento, EUA e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas. Nesse cenário, o subsolo brasileiro passou a ocupar posição central no tabuleiro internacional.

Acordo

No encontro desta sexta, Lula classificou demora em estabelecer o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Em seguida, afirmou que o acordo vai além da dimensão econômica, pois União Europeia e o Mercosul compartilham valores “como respeito à democracia, ao Estado de Direito e direitos humanos”.
Após a fala do presidente, Ursula von der Leyen, também se pronunciou. Segundo ela, o acordo se trata de uma conquista de “uma geração inteira”. Nesse contexto, ela agradeceu a Lula por encabeçar as tratativas do acordo.

Lula é o único líder entre os países membros do Mercosul que não vai participar da assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia, neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, será o representante do Brasil.

Além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, estão confirmados os presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai, que preside o bloco e sediará o evento.

 

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