Segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de agosto de 2026
O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, comparou a alta na concessão de crédito pelas instituições e a consequente alta na taxa de dívidas da população, e disse que “não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento [também] cresceu”.
Durante evento com o mercado financeiro promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) nesta segunda-feira (24), Galípolo destacou que a expansão das linhas de financiamento gera, de forma inerente, mais passivos para as famílias.
“O crédito que uma instituição financeira dá é a dívida que alguém tomou. Se você promover de alguma maneira a elevação do crédito, é normal esperar o aumento do endividamento”, afirmou o presidente do BC.
Ele reforçou ainda que a teoria econômica embasa o uso da política monetária para frear esse movimento: “Toda a literatura mostra que sempre o crescimento do endividamento se dá em um período onde a taxa de juros costuma estar mais baixa, não mais alta — pois esta última inibe a contração de dívida”.
“Efeito colateral” do Pix e alerta no cartão de crédito
Ao analisar a estrutura financeira do país, Galípolo ressaltou que a inovação tecnológica liderada pelo Banco Central tirou o país de uma estagnação na bancarização.
Ele apontou que o Pix gerou um processo de inclusão “muito forte”, especialmente entre a população de baixa renda, revelando que 74% dos adultos no Cadastro Único já possuem uma chave cadastrada, segundo os dados da autarquia.
No entanto, o presidente do BC alertou para a facilidade de acesso aos serviços financeiros abriu as portas massivamente para o endividamento no cartão de crédito.
“A inovação que foi o Pix, a inclusão bancária e o acesso a outros serviços financeiros ampliaram o acesso ao cartão. Esse crescimento gerou um processo em que, de 96 milhões de usuários, 52,8 milhões carregam dívidas, seja no rotativo ou no parcelamento com juros”, detalhou.
O impacto na renda do brasileiro é expressivo. Segundo Galípolo, há 37 milhões de pessoas a mais usando cartão de crédito desde a criação do Pix, e hoje 54% da renda das famílias está comprometida com faturas.
“Esse risco, que transcende a questão de uma estrutura de pagamento e começa a se misturar com a questão de crédito, não é algo a que as instituições que trabalham com cartão estão acostumadas. Reduzir esse custo do sistema é algo desejável”, cobrou o dirigente.