Sexta-feira, 19 de julho de 2024

Presidente do Banco Central diz que o banco não quer “ruído” com o governo

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nessa segunda-feira (4), em São Paulo, que o tema da autonomia financeira e administrativa do BC é extremamente técnico e “não deveria gerar ruído na imprensa”. Mas, segundo ele, trata-se de um “passo natural”, já que 90% dos bancos centrais que têm autonomia operacional no mundo também têm autonomia financeira.

“O tema da autonomia financeira e administrativa é um tema técnico e precisa ser discutido num ambiente mais técnico, sem gerar ruído na mídia. Mas 90% dos bancos centrais que têm autonomia operacional têm autonomia financeira. É um passo natural”, afirmou Campos Neto durante palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Ele disse que o assunto está sendo discutido com técnicos para se chegar aos principais benefícios que essa mudança pode trazer ao País.

“O trabalho do BC é melhorar o Brasil, ajudar o governo e fazer com que as coisas funcionem”, afirmou.

Campos Neto disse que se chegou a falar de autonomia financeira do BC, com a criação de um fundo, mas isso não avançou no Congresso porque foi priorizada a discussão sobre o tempo do mandato do chefe da instituição. Ele ponderou que todo projeto que entra no Congresso tem adaptações.

“Mas a gente vê o BC cada mais inserido no mundo de tecnologia e digitalização e é preciso ter um quadro com capacidade administrativa mais comparável ao setor privado. Vamos divulgar em breve um documento mostrando a comparação com outros países. Se for bem explicado, as pessoas vão entender que trata-se de um avanço para o País”, disse.

Campos Neto acrescentou que com um BC mais forte é possível ampliar a inclusão financeira e o Pix é só a ponta do que pode acontecer.

Ele afirmou que os funcionários do BC estão “comprados para o processo de autonomia” e que as discussões sobre avanço da autonomia financeira e administrativa foi discutido com a diretoria do BC e aprovado por unanimidade. O primeiro teste (autonomia operacional) é mais difícil mesmo, disse Campos Neto, mas é preciso planejar com um horizonte de tempo mais longo.

“A gente corre e entrega o mandato para o outro (presidente). Peguei muitas coisas do ex-presidente do BC Ilan Goldfajn e vou deixar para o outro. Mas é preciso preservar o senso de funcionalismo no BC. Estamos vindo de vários períodos de crises internas, de remuneração.”

PEC no Congresso

A proposta de emenda Constitucional (PEC) que tramita no Congresso sobre a autonomia financeira e administrativa do Banco Central permitirá que o BC defina sua própria política de pessoal, inclusive os salários.

Campos Neto disse à colunista Miriam Leitão, do jornal O Globo, que a receita para esses aumentos viriam do próprio BC. A receita viria da senhoriagem, que é o lucro que se tem com a emissão, administração e circulação da moeda, e algumas taxas cobradas pelo Banco Central.

Em entrevista à Folha de São Paulo publicada no final de semana, Campos Neto defendeu a autonomia financeira do BC.

Campos Neto afirmou à colunista Miriam Leitão que o BC estava perdendo sete funcionários por dia, pois pessoas qualificadas estavam saindo para bancos para outras atividades, por conta do salário defasado.

Na conversa, ele admitiu que essa defasagem salarial foi criada principalmente no governo Bolsonaro, quando o ministro Paulo Guedes fez uma política salarial de não aumento aos servidores. No governo Lula, o funcionalismo teve aumento de 9%.

Campos Neto afirmou na palestra na ACSP que o Brasil ainda recebeu poucos investimentos para projetos de transição energética para fontes renováveis, ano passado, mas afirmou que esse fluxo deve aumentar este ano.

“Na transição verde, hoje o Brasil tem esse cartão postal de produzir com energia limpa. Em 2023, não entrou muito dinheiro para projetos desse setor começando do zero, mas é um processo. A narrativa vai melhorando e vai entrando o dinheiro.”

Inflação de serviços

O presidente do BC afirmou durante a apresentação que a inflação de serviços no Brasil ainda é um ponto de atenção, com salários começando a “pressionar um pouco” os preços.

Mas ele ponderou que o cenário no País ainda é benigno apesar de números marginalmente piores no setor.

“A gente ainda entende que tem uma convergência benigna da inflação, tem um ponto de atenção para a parte dos serviços, já que a parte dos salários começou a pressionar um pouco.”

Campos Neto disse que o BC fez várias análises sobre a dinâmica de inflação de serviços e entendeu que não há nada hoje que acenda algum tipo de luz vermelha, mas é preciso estar atento.

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