Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de fevereiro de 2026
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem afirmado a interlocutores que pretende conversar com o senador Flávio Bolsonaro nos próximos dias – assim que ele retornar de viagem internacional – para defender que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes assuma o papel de “Posto Ipiranga” em uma eventual campanha presidencial.
A expressão faz referência à estratégia adotada em 2018, quando Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência da República, recorria a Guedes sempre que era questionado sobre temas econômicos. À época, o economista foi apresentado como principal formulador da política econômica do governo e como responsável por detalhar propostas nas áreas fiscal, tributária e de privatizações.
Dentro do PL, a avaliação é que a presença de uma “âncora econômica” com reconhecimento no mercado financeiro e no setor produtivo poderia contribuir para ampliar a credibilidade de Flávio Bolsonaro em um eventual projeto nacional. Dirigentes do partido consideram que um nome associado à agenda liberal ajudaria a reforçar compromissos com responsabilidade fiscal, controle de gastos e previsibilidade econômica.
Segundo lideranças partidárias, Flávio Bolsonaro tem perfil diferente do pai no que diz respeito à condução de debates econômicos. Integrantes do PL afirmam que o senador demonstra maior interesse por temas fiscais, acompanha discussões sobre responsabilidade orçamentária e mantém interlocução frequente com representantes do setor produtivo. Ainda assim, a avaliação interna é de que a associação a um economista já testado em eleições presidenciais agregaria maior robustez ao programa econômico da campanha.
Apesar da articulação defendida por Valdemar, Flávio Bolsonaro já conta com um grupo de assessores na área econômica. Entre os nomes próximos ao senador estão Gustavo Montezano, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia. Ambos têm participado de reuniões, colaborado na formulação de diretrizes e auxiliado na construção de discursos voltados à agenda econômica.
Outro nome considerado ideal por setores do PL é o do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que deixou o cargo recentemente e passou a atuar no mercado financeiro. Aliados reconhecem, contudo, que seria difícil convencê-lo a deixar a iniciativa privada neste momento para integrar uma campanha eleitoral.
Para Valdemar Costa Neto, entretanto, Paulo Guedes reuniria as credenciais políticas e técnicas mais consolidadas. O dirigente tem reiterado a interlocutores que Guedes, por já ter desempenhado o papel central na formulação econômica em 2018, seria o nome mais preparado para reassumir a função de principal referência econômica em uma nova disputa presidencial.