Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Presidente do partido Republicanos nega ida a degustação paga por Daniel Vorcaro: “Não bebo uísque”

O deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente nacional do Republicanos, negou nesta sexta-feira (29) ter participado da degustação de uísque promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Nova York. O evento, realizado em maio de 2024, é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) e ficou conhecido nos bastidores políticos como a “farra do uísque” devido ao alto custo da confraternização, estimado em mais de R$ 5 milhões.

Segundo apuração do jornal O Globo, a lista de convidados foi confirmada por duas pessoas que participaram do encontro realizado no Carnegie Club, tradicional bar de luxo localizado nas proximidades do Central Park, em Manhattan.

“Não fui a esse evento. Não bebo uísque e não fumo charuto”, afirmou Marcos Pereira ao negar presença na confraternização.

Além do presidente do Republicanos, o encontro teria reunido o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ).

Na época, diversos políticos brasileiros estavam em Nova York para participar de fóruns empresariais e eventos internacionais realizados paralelamente na cidade.

De acordo com documentos obtidos pela Polícia Federal, o evento promovido por Vorcaro custou cerca de US$ 1 milhão, o equivalente a aproximadamente R$ 5,2 milhões na cotação utilizada pelos investigadores.

As despesas incluíram gastos milionários com uísques importados, charutos premium, locação do espaço e taxas administrativas. A investigação aponta que somente os custos com bebidas ultrapassaram R$ 3,4 milhões.

O Carnegie Club, local escolhido para o encontro, se apresenta como um dos lounges mais exclusivos de Nova York, especializado em charutos e whiskies single malt.

Naquele momento, Marcos Pereira, Hugo Motta, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho figuravam entre os nomes cotados para disputar a sucessão do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Hugo Motta acabaria sendo escolhido para comandar a Casa em fevereiro do ano seguinte.

A investigação da PF faz parte de um inquérito que apura a relação entre Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro. Os investigadores analisam suspeitas envolvendo investimentos realizados pelo Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, mensagens obtidas durante a investigação mostram que Vorcaro classificou o encontro como um “evento pequeno”, restrito a apenas dez convidados e destinado “só para homens”.

Os investigadores também apontam que, um dia após a degustação milionária, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

A PF identificou ainda outros investimentos posteriores envolvendo recursos públicos estaduais aplicados na instituição financeira.

Outro ponto citado nas investigações envolve o senador Ciro Nogueira. Meses após o encontro, em agosto de 2024, o parlamentar apresentou uma emenda a um projeto de lei que previa aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A proposta ficou conhecida informalmente nos bastidores políticos como “emenda Master”, por beneficiar diretamente o modelo de negócios do banco controlado por Daniel Vorcaro. O texto, no entanto, acabou não sendo aprovado pelo Congresso Nacional.

Até o momento, nenhum dos citados foi formalmente denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Todos negam irregularidades.

 

(Com O Globo)

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