Sábado, 15 de agosto de 2026

Presidente do Supremo discorda de colega ministro e indica que decisão de Alexandre de Moraes para investigar jornalista deve ser levada ao plenário do Tribunal

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu a proteção da liberdade de imprensa e indicou que a decisão do colega Alexandre de Moraes, que determinou busca e apreensão contra fonte de jornalista no Maranhão, será analisada em plenário. Fachin prestou solidariedade ao ministro Flávio Dino, que diz ter sido perseguido pelo profissional da imprensa investigado na Corte. Durante o debate sobre o assunto, Moraes, por sua vez, apontou que a Primeira Turma da Corte é quem irá julgar o assunto.

O jornalista envolvido no caso, Luis Pablo, publicou reportagens em seu blog sobre o uso de carros oficiais de Dino no Maranhão.

Na abertura da sessão plenária, Fachin leu uma nota em nome da Presidência do STF em que reafirma o compromisso da Corte com as garantias constitucionais dos jornalistas e ressalta que a jurisprudência do tribunal sobre liberdade de imprensa e sigilo da fonte permanece inalterada.

— O Supremo Tribunal Federal reafirma seu compromisso irrenunciável com a Constituição e com o respeito às liberdades fundamentais, sobretudo com liberdade de imprensa e com o direito fundamental dos jornalistas ao sigilo de fonte. Ao longo dos anos, a jurisprudência da Suprema Corte realçou, como não poderia deixar de ser feito sob a égide da Constituição de 1988, a primazia que esses direitos têm dentro do arcabouço legal. A jurisprudência do Tribunal permanecerá íntegra e vinculante a todos os órgãos do Poder Judiciário, e seus Ministros não se afastarão do compromisso com esses direitos — disse.

O presidente do STF também indicou que o caso será analisado pelos demais ministros.

— A Presidência tem a convicção de que a força do Tribunal reside em sua colegialidade, a melhor expressão de solidariedade a seus membros, seja confirmando decisões monocráticas, seja deliberando sobre o destino e a duração de investigações. A Presidência adotará as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige.

Fachin também disse que “a apuração de eventuais ilícitos deve dirigir-se à conduta que constitua objeto da investigação, jamais à atividade jornalística legítima exercida no cumprimento de sua função constitucional”.

No mesmo pronunciamento, Fachin prestou solidariedade a Dino e afirmou que ameaças à segurança física dos ministros e de seus familiares devem ser apuradas com rigor. De acordo com o presidente do STF, a Secretaria de Polícia Judicial do STF colaborará com as autoridades para a elucidação dos fatos e para a responsabilização, inclusive criminal, de eventuais autores.

— A Presidência do Supremo Tribunal Federal manifesta solidariedade ao Ministro Flávio Dino e reconhece que ameaças à segurança física dos ministros e familiares devem ser apuradas com rigor.

Após a leitura da nota, Dino agradeceu a manifestação de Fachin e afirmou que o texto esclarece a distinção entre a investigação de eventuais crimes e a proteção constitucional ao exercício do jornalismo.

— Agradeço a manifestação em nome do tribunal que repõe os fatos nos trilhos adequados. O primeiro é aquele relativo a legítimas investigações de hipotéticos crimes, e o outro é a proteção que existe e sempre existirá à profissão, e não a eventual coautoria de delitos — disse o ministro.

Além da defesa das garantias constitucionais, Fachin sinalizou que a discussão será levada ao colegiado. Segundo o presidente, a força do Supremo “reside em sua colegialidade”, tanto para confirmar decisões monocráticas quanto para deliberar “sobre o destino e a duração de investigações”. O presidente afirma ainda que adotará “as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige”.

A sinalização ocorre após a repercussão da decisão de Moraes que autorizou medidas de investigação envolvendo um jornalista e determinou a quebra do sigilo da fonte no curso da apuração sobre ameaças dirigidas ao ministro. O caso provocou críticas de entidades representativas da imprensa, que apontaram possível violação às garantias constitucionais asseguradas ao exercício da atividade jornalística.

Após o pronunciamento de Fachin, o ministro Alexandre de Moraes também pediu a palavra para elogiar a manifestação da Presidência do STF e defender a decisão tomada por ele. Moraes afirmou que a investigação não tem como alvo o exercício da atividade jornalística, mas a suposta participação de investigados em uma associação criminosa responsável por ameaças ao ministro e seus familiares.

Segundo ele, tanto a representação da Polícia Federal quanto o parecer da Procuradoria-Geral da República apontam “prova cabal de materialidade e fortes e concretos indícios de coautoria criminosa” por parte dos investigados, “sejam eles advogados, sejam eles jornalistas”, além de indicar a existência de pagamentos por informações obtidas de forma ilícita.

O ministro afirmou que o STF continuará garantindo a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte, mas sustentou que a proteção constitucional não pode ser utilizada para acobertar a prática de crimes.

— O sigilo da fonte é uma garantia constitucional consagrada por esta Suprema Corte, mas nunca se confundiu e jamais se confundirá com escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas. Não confundamos jornalistas investigativos com jornalistas investigados pelas práticas criminosas — disse. Com informações do portal O Globo.

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