Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de janeiro de 2026
Realizada pela Polícia Civil em 53 cidades gaúchas ao longo de toda a terça-feira (20) e com foco na prevenção de feminicídios, a operação “Ano Novo, Vida Nova” resultou na prisão de 29 agressores, além do recolhimento de quatro armas-de-fogo e munição, durante cumprimento de ordens de busca e apreensão. Mais de 350 agentes participaram da mobilização, conforme balanço divulgado nessa quarta.
Coordenada pelo Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV) da corporação, a ofensiva realizou 15 prisões em Porto Alegre, três em Capão da Canoa, duas em Rosário do Sul (2) e uma em cada um dos seguintes municípios: Gravataí, Novo Hamburgo, Bom Jesus , Rio Grande, Erechim, Santa Rosa, Osório e Farroupilha.
A operação faz parte das estratégias do governo estadual para o combate à violência doméstica e familiar, com apoio das instituições vinculadas à Secretaria da Segurança Pública (SSP) – Polícia Civil, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Instituto-Geral de Perícias.
O Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios em 2025. Nos primeiros 20 dias deste ano, sete mulheres foram mortas (duas a menos que em igual período no ano passado).
A secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana da Costa, destacou a prioridade do governo na segurança das mulheres, com ações intensificadas:
“Sabemos que a violência requer prevenção e, no que tange à segurança pública, se dá principalmente a partir do registro das ocorrências. Ações como as realizadas pela PC demonstram como a Polícia Civil e a Brigada Militar, com a patrulha Maria da Penha, estão preparadas e abertas a acompanhar os casos para apoiar essas mulheres”.
Ela lembra que, em todo o Estado, há policiais civis e militares preparados para o atendimento às vítimas. E que o assunto tem sido tratado diariamente com o governo:
“Com apoio de todas as instituições ligadas à SSP e em parceria com outras secretarias, como a da Mulher e da Saúde, temos realizado o combate e a prevenção aos casos, mas a mudança de mentalidade depende também de conscientização. Por isso, são realizados programas de prevenção e educação em todas as vinculadas, além de parcerias com outras secretarias para identificar problemas e estabelecer protocolos. Esse é um problema de toda a sociedade”.
Trabalho sistemático
Diretor do DPGV, o delegado Juliano Ferreira destaca que esta ação será sistemática, com a checagem de cada uma das denúncias. O trabalho é repressivo e preventivo.
“Outra frente em que nos emprenharemos cada vez mais é a qualificação do trabalho do policial”, explica. “Os agentes que atendem essas mulheres vão estar cada vez mais preparados para as abordagens e vão colaborar para o fortalecimento da rede de proteção dessas mulheres.”
Ele acrescenta outro ponto importante: trazer outros atores sociais, empresas públicas e privadas para a discussão sobre o machismo estrutural, envolvendo também os cidadãos: “Afinal, é preciso conscientizar a todos sobre a violência, que não é um problema de polícia, mas uma questão que envolve toda a sociedade”.
Diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher, a delegada Waleska Alvarenga destaca que todos os autores dos feminicídios ocorridos desde o começo do ano estão presos: “Essa ofensiva estadual envolve todas as delegacias do RS para demonstrar que os agressores serão presos e, assim, reduzir a sensação de impunidade”.
Os esforços prosseguem, a fim de prevenir e coibir crimes dessa natureza. “Essa operação realizada logo no início do ano busca interromper ciclos de violência contra mulheres e meninas, com a verificação de denúncias anônimas e o cumprimento de mandados judiciais. Muitos dos presos descumpriram as medidas protetivas. É uma ação clara de combate à impunidade”, acrescenta Waleska.
(Marcello Campos)