Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de janeiro de 2026
A alta de 0,7% no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) – trouxe surpresa ao mercado, que esperava uma média de aumento de 0,4% nos dados referentes a novembro. Segundo analistas, a leitura da média móvel trimestral, que busca eliminar distorções, também aponta robustez na atividade.
A avaliação é que os dados divulgados hoje podem esfriar a expectativa pelo corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 27 e 28 de janeiro.
Setores
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destaca que os dados enfraquecem o consenso de desaceleração da atividade. Segundo ela, excluindo os dados do agronegócio, o IBC-Br mantém a mesma alta de 0,7%, um crescimento puxado por indústria (o,8%) e serviços (0,6%).
André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a média móvel trimestral em novembro indicou crescimento de 0,2%, mantendo uma trajetória de aceleração pelo quarto mês consecutivo. “O indicador saiu de um recuo de 1,05% em agosto para uma alta de 0,2% em novembro”, aponta.
Como os dados de novembro trazem reflexos das promoções desta época do ano, há expectativa para que estes números sejam, em parte, “devolvidos” nos dados de dezembro. “A dúvida é a intensidade”, afirma Victal.
Corte de juros
Para Gustavo Gonzaga, economista-chefe da Necton Investimentos, os dados do IBC-Br indicam que o balanço de riscos ainda conta com vetores inflacionários relevantes. No entanto, a leitura das métricas acumuladas mostram uma desaceleração – mas ainda não tão intensa. Para ele, o corte de juros deve vir em março.
Valério, do Inter, também segue a mesma linha de análise. “Esse resultado, em conjunto com o dado de inflação divulgado na semana passada, praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro”, avalia. Para ele, o corte deve vir em março.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, faz uma leitura dos dados do IBC-Br aliada ao mercado de trabalho: com uma atividade econômica aquecida, e a população com emprego e renda elevada, a demanda deve continuar em alta, impactando a inflação. Dinâmica que também leva a um cenário de juros mais altos para segurar os preços.
Victal também projeta corte de juros apenas em março. “O corte já em janeiro nos parece precipitado, dada a incerteza do comportamento da atividade econômica, que apresentou bom desempenho em novembro, e há resiliência no mercado de trabalho”, avalia.
Projeção do PIB
Os dados do PIB de 2025 ainda não foram divulgados. Para a Necton Investimentos, a projeção é de crescimento do PIB em 2025 de 2,5%. A SulAmérica Investimentos estima alta de 2,3%, e o Inter projeta PIB de 2,1%.
A projeção do PIB divulgada no Boletim Focus desta semana é de 2,23%. Com informações do portal Infomoney.