Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Primeiro-ministro de Israel diz que o Hamas “endurece” negociação por trégua em Gaza

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou a jornalistas que o grupo terrorista islâmico Hamas está “endurecendo” sua postura nas negociações com autoridades de Tel-Aviv por uma trégua na Faixa de Gaza e um acordo para troca de reféns judeus por prisioneiros palestinos. Sua manifestação foi feita nesse domingo (31), antes de se submeter a cirurgia de hérnia.

Ultimamente, o contexto é de intensas negociações sobre um cessar-fogo em Gaza. As tratativas se mantém, aos trancos e barrancos, desde dezembro. A ofensiva militar de Israel na Palestina teve início em outubro, após terroristas do Hamas invadirem o território israelense e matarem centenas de pessoas.

Na mesma conversa com a imprensa neste domingo, Netanyahu anunciou nova ofensiva em Rafah, região no extremo sul da Faixa de Gaza e próxima à fronteira com o Egito: “Eliminaremos os batalhões do Hamas pela simples razão de que não há vitória sem entrar em Rafah e eliminá-los”.

A região de Rafah é considerada o último refúgio para cerca de 1,5 milhão de pessoas – quase toda a população da Faixa de Gaza. Ao tratar da ofensiva, Netanyahu afirmou que o objetivo é “criar condições de segurança” para que milhares de israelenses “arrancados de casa” possam retornar:

“Prefiro, se possível, fazer isso por meios diplomáticos. Mas, se não, faremos por meios diferentes. Prefiro não compartilhar detalhes operacionais ou de cronograma com nossos inimigos”.

De acordo com autoridades de saúde, ataques israelenses mataram 77 palestinos em Gaza somente nesse fim de semana. Enquanto isso, uma delegação israelense foi ao Egito para mais uma rodada de tratativas pela tão esperada “bandeira branca” bilateral.

Protestos em Jerusalém

Também neste domingo, milhares de pessoas foram às ruas de Jerusalém em protesto contra o governo de Benjamin Netanyahu. Segundo a imprensa local, essa foi uma das maiores manifestações desde o início da guerra.

Os manifestantes se reuniram em frente ao Knesset, o parlamento do país, e pediram por novas eleições, além de uma participação mais igualitária na obrigatoriedade do serviço militar.

Desde o ataque do Hamas a Israel, em outubro, cerca de 600 soldados israelenses foram mortos — o maior número de vítimas militares em anos.

O conflito entre Hamas e Israel também foi tema tratado pelo papa Francisco neste domingo, durante as celebrações de Páscoa. Em sua homilia, o pontífice renovou seu pedido por um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Conselho da ONU

No dia 25 de março, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução de cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. O texto, redigido por um grupo de dez países com assento rotativo no Conselho de Segurança liderados por Moçambique, foi o primeiro aprovado sobre trégua no território palestino.

A validação da resolução, no entanto, não é uma solução para a guerra. O desafio agora é garantir que os atores envolvidos – o governo de Israel e o grupo terrorista – cumpram as determinações exigidas no texto da ONU.

Isso porque, embora as resoluções do Conselho de Segurança sejam juridicamente vinculativas, na prática acabam ignoradas por muitos países. Após a medida, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu que o governo israelense acatasse a decisão do conselho.

Em janeiro deste ano, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) já havia decidido que o governo de Israel tomasse todas as medidas cabíveis para “prevenir um genocídio” na Faixa de Gaza. Na ocasião, no entanto, a Corte não acolheu um pedido de cessar-fogo imediato nos conflitos em território palestino.

A sentença da CIJ foi uma decisão inicial em resposta ao processo aberto pela África do Sul acusando Israel de estar cometendo genocídio com os bombardeios na Faixa de Gaza. O governo sul-africano pedia, entre outros pontos, uma medida cautelar estipulando uma pausa imediata nos ataques.

Em novembro, Israel e Hamas chegaram a fechar um acordo para libertar reféns em troca de uma pausa no combate. Do lado de Israel, 39 palestinos foram soltos, enquanto o Hamas libertou 24 reféns. Na ocasião, também foi instituída uma trégua de quatro dias no conflito da região.

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