Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Privado: 130 anos depois, espécie de tamanduá considerada extinta no Rio Grande do Sul reaparece em solo gaúcho

Uma armadilha fotográfica flagrou a presença de um tamanduá-bandeira, espécie considerada extinta no Rio Grande do Sul há 130 anos. O animal foi registrado entre as árvores do Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (Fronteira-Oeste gaúcha).

A imagem corrobora uma descoberta realizada em junho por pesquisadores durante expedição em busca de animais silvestres na unidade de conservação ambiental. Eles então instalaram o equipamento, que permite capturar imagens desse tipo com a mínima interferência humana.

“A gente acredita que esse bicho seja resultado da expansão do trabalho de reintrodução feito na Argentina, a partir de um trabalho da Fundação Rewilding”, explica o biólogo Fábio Mazim, integrante da equipe. “Esses animais estão  agora adentrando o território do Rio Grande do Sul.”

Após a primeira aparição no Estado, outras imagens da espécie foram obtidas no mesmo parque. A captação se deu em turnos distintos, durante os meses de julho a setembro. Conforme o biólogo, ainda não foi possível concluir se todos os registros correspondem ao mesmo animal ou se haveria uma dupla. A única certeza é de que há ao menos um novo “inquilino” no parque.

A descoberta será relatada em um trabalho científico em colaboração com pesquisadores da Argentina e Uruguai – onde o tamanduá-bandeira também era considerado extinto no mesmo período em que isso ocorreu no Pampa gaúcho.

Características

De grande porte, longa cauda (que inspirou a sua denominação), focinho alongado e orelhas pequenas, o tamanduá-bandeira é um mamífero nativo da América do Sul. Especialistas salientam que a espécie tem função ecológica de extrema importância para a adubação, uma vez que se alimentam de insetos e acabam espalhando resíduos e nutrientes no solo.

Quando atingem a idade adulta, são animais solitários. Não são ágeis e nem agressivos, a menos que se sintam ameaçados. Apesar do tamanho e do peso, conseguem se proteger de predadores sobre as árvores, graças ao auxílio de suas garras.

(Marcello Campos)

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