Domingo, 11 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de janeiro de 2026
O Brasil registrou 8,6 mil novos processos criminais sobre racismo em 2025, o recorde da série histórica iniciada em 2020. Desde o começo do levantamento, esses processos aumentaram 188%. Ao todo, há 13,6 mil ações pendentes de julgamento. Os números foram levantados pelo jornal O Estado de S. Paulo em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Cerca de 97% desses processos criminais tramitam nas Justiças estaduais. A lista é liderada pela Bahia, Estado com a maior proporção de população negra do País. Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná vêm em seguida. São Paulo é o oitavo Estado com mais ações, com 663.
Estados com mais processos novos por racismo em 2025:
* Bahia – 3.680;
* Minas Gerais – 1.383;
* Santa Catarina – 994;
* Rio de Janeiro – 984;
* Paraná – 827.
Desde o começo da série histórica do CNJ, em 2020, outubro de 2025 foi o mês com mais processos novos sobre racismo. Foram 803 casos, o que equivale a uma média de uma ação protocolada por hora no País. Os números registrados a cada ano vêm aumentando sucessivamente.
Novas ações criminais por racismo no País:
* 2025 – 8.591;
* 2024 – 8.184;
* 2023 – 7.973;
* 2022 – 5.764;
* 2021 – 5.610;
* 2020 – 2.978.
Ainda de acordo com estatísticas do CNJ, há apenas 2.714 negros entre os 18.998 magistrados brasileiros, o que corresponde a 14,3%. O porcentual é um pouco maior entre servidores: são 27,8% de servidores negros, ou 78.761 entre 283.639. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 55,5% da população se identifica como negra, soma de pretos e pardos.
Espaços de consumo e de trabalho são os locais onde o racismo é mais evidente em pelo menos dez capitais do País. A pesquisa “Viver nas Cidades: Relações Raciais”, divulgada em novembro de 2025 pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Ipsos-Ipec, aponta que os moradores dessas grandes cidades percebem a discriminação de maneira mais clara em shoppings e outros estabelecimentos comerciais, ambientes seguidos pelo trabalho, por ruas e espaços públicos de convivência.
O levantamento obteve respostas de 3.500 pessoas, via painel online, em Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, para verificar a percepção dos moradores sobre a discriminação racial em suas cidades e medidas para combatê-la.
Os pesquisadores perguntaram aos internautas que três lugares, pensando no acesso e no atendimento dos diversos serviços, acreditavam haver mais diferença no tratamento de pessoas negras e pessoas brancas. Do total, 57% citaram os estabelecimentos comerciais entre as três opções, como shoppings, lojas, cinemas, restaurantes, bares, mercados e farmácias.
Embora não haja diferenças significativas de uma capital para as demais, Salvador (65%) e Belém (62%) registraram o maior patamar de menção à discriminação racial nesses espaços, e o menor foi em Manaus (50%).
Segundo a pesquisa, 10% da população das dez cidades afirmou não existir diferença no tratamento entre negros e brancos. Outros 12% não souberam responder.
Depois dos estabelecimentos comerciais, os lugares mais citados foram o trabalho (44%), incluindo processos de seleção, dia a dia e promoção profissional; e as ruas e os espaços públicos de convivência (31%), como parques e praças. Na sequência, vêm as escolas, faculdades e universidades (29%), o transporte público (16%) e os hospitais e postos de saúde (15%). (Com informações do jornais O Estado de S. Paulo e O Globo)