Terça-feira, 30 de junho de 2026

Procurador-Geral da República “fecha as portas” para nova delação do dono do Banco Master

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu encerrar, ao menos por ora, qualquer possibilidade de negociação para um novo acordo de delação premiada com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A posição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi comunicada após a rejeição da segunda proposta apresentada pela defesa do banqueiro e representa um endurecimento da postura do Ministério Público em relação às tentativas de colaboração do principal investigado no escândalo financeiro que abalou o sistema bancário brasileiro.

Segundo integrantes da investigação, Gonet concluiu que Vorcaro não apresentou fatos inéditos nem provas capazes de justificar os benefícios previstos em um acordo de colaboração premiada. A avaliação da PGR acompanha o entendimento da Polícia Federal, que já havia recusado anteriormente duas propostas do empresário por considerar que os relatos eram incompletos, seletivos e insuficientes para esclarecer a estrutura do esquema investigado.

Nos bastidores da Procuradoria, a interpretação é de que o empresário tentou preservar pessoas próximas e deixou de apresentar documentos que comprovassem parte das acusações feitas durante as negociações. Além disso, investigadores apontam que Vorcaro não demonstrou disposição efetiva para reparar os danos financeiros provocados pelas supostas fraudes, tampouco assumiu compromisso concreto de devolver recursos considerados desviados durante a operação do Banco Master.

A negativa representa uma mudança importante em relação ao posicionamento adotado pela própria PGR nos primeiros meses das negociações. Na ocasião, mesmo após a Polícia Federal rejeitar a primeira proposta de colaboração, o órgão ainda mantinha abertas as tratativas, solicitando complementações e novos elementos à defesa do empresário. Com a segunda rejeição, entretanto, a equipe de Paulo Gonet concluiu que as possibilidades de um acordo foram esgotadas nas condições atualmente apresentadas.

O caso Banco Master é considerado uma das maiores investigações financeiras em andamento no país. A Operação Compliance Zero apura suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado, emissão irregular de títulos e organização criminosa. As investigações também alcançam empresários, operadores financeiros, agentes públicos e políticos que teriam mantido relações com o grupo comandado por Vorcaro.

Com a rejeição definitiva da proposta, o empresário permanece preso preventivamente. Em manifestação encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Gonet também se posicionou contra o pedido de prisão domiciliar formulado pela defesa. Para o procurador-geral, não houve qualquer fato novo que justificasse a alteração da medida cautelar, cabendo ao STF apenas definir o local mais adequado para o cumprimento da prisão preventiva.

A defesa de Daniel Vorcaro sustenta que o empresário continua disposto a colaborar com as autoridades e afirma que poderá apresentar novos elementos caso existam condições para reabertura das negociações. Fontes ligadas à investigação, contudo, afirmam que uma eventual retomada das conversas dependeria da apresentação de provas robustas e inéditas, capazes de alterar significativamente o rumo das apurações — hipótese considerada improvável diante da posição atualmente adotada pela PGR.

Nos meios jurídico e político, a decisão é interpretada como um recado de que o Ministério Público pretende concentrar esforços nas provas já reunidas ao longo da investigação, sem depender de novas colaborações do ex-banqueiro.

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