Sexta-feira, 13 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de março de 2026
A Procuradoria-Geral da República (PGR) iniciou a análise da possibilidade de um acordo de colaboração premiada com a defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, no âmbito das investigações que apuram suspeitas de interferência em apurações e acesso indevido a informações sigilosas. O caso está em fase inicial de tratativas e ainda não há definição sobre os termos que poderiam compor um eventual acordo.
De acordo com o portal de notícias UOL, as conversas entre investigadores e a defesa são consideradas preliminares. Até o momento, não existe uma proposta estruturada sobre quais autoridades ou pessoas poderiam ser citadas em uma eventual delação, tampouco quais fatos ou documentos seriam apresentados para embasar uma colaboração. Nos bastidores, a avaliação é de que o tema ainda está distante de qualquer formalização.
A prioridade da defesa neste momento é tentar reverter a prisão preventiva do empresário, que será analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Advogados de Vorcaro trabalham para demonstrar que não há elementos que justifiquem a manutenção da medida cautelar mais grave, defendendo que o banqueiro possa responder às investigações em liberdade.
Negativa
O advogado Pierpaolo Bottini, que representa o banqueiro, negou que exista qualquer negociação em curso para um acordo de delação premiada.
“A posição da defesa é que não há discussão sobre delação neste momento”, afirmou ao portal UOL.
Nesta sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF deve iniciar, em plenário virtual, o julgamento que vai decidir se mantém ou não a prisão preventiva de Vorcaro, determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso. Os ministros terão prazo para apresentar votos no sistema eletrônico da Corte, sem necessidade de sessão presencial.
Mesmo que venha a ser apontado pelas investigações como líder de uma organização criminosa, Vorcaro ainda poderia propor uma colaboração premiada em etapa posterior do processo. Nesse cenário, contudo, os benefícios previstos na legislação tendem a ser mais restritos. O acordo, por exemplo, não impediria o Ministério Público de apresentar denúncia criminal contra o investigado, ainda que a eventual colaboração seja considerada relevante.
A prisão preventiva foi determinada pelo ministro Mendonça sob o argumento de “risco concreto de interferência nas investigações”. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal e teve como base mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, apreendido durante a primeira fase da operação realizada no ano passado.
Segundo os investigadores, Vorcaro teria obtido documentos sigilosos de apurações que tramitavam no Ministério Público Federal. As mensagens analisadas também indicariam pedidos de monitoramento de adversários e referências a possíveis ações violentas.
Esta é a segunda prisão do banqueiro. Ele já havia sido detido em novembro de 2025, quando tentava deixar o País em meio ao avanço das investigações.
O instituto da colaboração premiada, também conhecido como delação premiada, ganhou destaque no País durante a Operação Lava-Jato, considerada um marco no uso desse mecanismo para a revelação de esquemas de corrupção e crimes financeiros de grande escala. (Com informações do portal R7)