Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de agosto de 2026
O índice de produção da indústria gaúcha registrou o segundo crescimento consecutivo em julho, alcançando 50,8 pontos. Apesar do avanço da atividade, o índice estoques aumentaram e atingiram 54,1 pontos, levando o índice de evolução ao maior nível desde maio de 2018, período em que ocorreu a greve dos caminhoneiros. Resultados acima de 50 pontos indicam crescimento. Os dados são da pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pelo Sistema Fiergs nesta quinta-feira (27).
Conforme o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o crescimento da produção é um sinal positivo, mas ainda requer cautela. “O avanço da produção demonstra a capacidade de resiliência da indústria gaúcha, que segue enfrentando um cenário desafiador. Para que esse movimento se consolide em uma retomada mais consistente, é fundamental avançar em políticas fiscais responsáveis, garantir estabilidade política e buscar a reversão das tarifas impostas pelos Estados Unidos”, avalia.
A pesquisa mostra ainda que o emprego industrial completou 14 meses consecutivos de queda em julho, recuando de 48,9 para 48 pontos. Ao mesmo tempo, a indústria gaúcha operou com 72% de sua capacidade instalada em julho, o maior patamar desde novembro de 2024. Ainda assim, os empresários seguem avaliando o nível de utilização como inferior ao usual para o período. Apesar do avanço da UCI (utilização da capacidade instalada) no mês, o índice em relação ao usual recuou 1,1 ponto, para 43,8 em julho.
Expectativas
Em agosto, as expectativas dos empresários industriais para os próximos seis meses recuaram, indicando um cenário pessimista. Os quatro indicadores ficaram abaixo da linha de 50 pontos e apresentaram piora na margem, sinalizando perspectivas de queda para a demanda, o emprego, as compras de matérias-primas e as exportações.
Entre os componentes das expectativas, o índice de demanda recuou para 49,5 pontos (-1,1 ponto), interrompendo dois meses consecutivos em terreno otimista e voltando a sinalizar expectativa de queda nos próximos seis meses.
O índice de emprego caiu para 47 pontos (-1,3 ponto), o menor nível desde dezembro de 2025, reforçando a perspectiva de redução do número de empregados. As expectativas de compras de matérias-primas e de exportações também recuaram, para 47,9 (-1,3 ponto) e 48,2 pontos (-0,9), respectivamente. Ambos permaneceram abaixo da linha divisória de 50 pontos, indicando expectativa de queda nas compras e nas quantidades exportadas.
Intenção de investir
O índice de intenção de investir recuou pelo terceiro mês consecutivo em agosto, atingindo 51,3 pontos e ficando abaixo da média histórica, de 52,1. No mês, 54,3% dos industriais manifestaram intenção de realizar investimentos nos próximos seis meses, ante 54,9% em julho. A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 12 de agosto com 139 empresas, sendo 32 pequenas, 42 médias e 65 grandes.