Sábado, 16 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de maio de 2026
A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, está sendo cobrada na Justiça de São Paulo por descumprir um contrato de locação. O acordo previa usar um estacionamento para as filmagens por um único dia. Já os administradores do negócio reclamam que a produtora usou a área por duas diárias.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação para apurar irregularidades em um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence à sócia da produtora do filme “Dark Horse”.
O inquérito foi instaurado no final de janeiro para apurar a suspeita de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões para implantar pontos de wi-fi público.
O acordo entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da gestão Ricardo Nunes (MDB) e a ONG prevê instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet na periferia paulistana pelo prazo de 12 meses.
O Instituto Conhecer Brasil tem como única sócia a empresária Karina Ferreira Gama, que também é sócia única da empresa Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, Centro de SP. O inquérito foi instaurado pelo promotor Ricardo de Barros Leonel, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, após denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT). Segundo o petista, há indícios de irregularidades no chamamento público e na execução do contrato pela empresa de Karina Gama.
Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia informou a contratação foi realizada por meio de chamamento público transparente e sem contestações. O g1 procurou a Prefeitura de SP e a ONG Instituto Conhecer Brasil para comentarem o inquérito do MP, mas não havia recebido retorno até a última atualização dessa reportagem.
O vereador argumenta que o chamamento público teria tido apenas uma participante, o próprio Instituto Conhecer Brasil, e questiona a ausência de concorrência, levantando suspeitas sobre possível direcionamento do processo licitatório. Ele também aponta indícios de um suposto superfaturamento de mais de R$ 27 milhões no valor do contrato.
Em seu site oficial, a ONG se descreve como entidade de “organização e execução de projetos de educação, cultura, turismo, pesquisa e tecnologia”, possuindo expertise no planejamento, coordenação e execução de eventos de grande repercussão nacionais e internacionais”.
A descrição não faz nenhuma menção à experiência na instalação de equipamentos de telecomunicações ou redes de internet e wi-fi público.
Agressão
Em paralelo, um ator registrou um boletim de ocorrência após relatar ter sido agredido e chamado de “ladrão” durante as gravações do filme, no Memorial da América Latina, na Zona Oeste de São Paulo. Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, a confusão ocorreu durante uma revista feita na entrada do set de filmagem. Ele afirmou que os atores estavam sendo revistados por homens apresentados como policiais “por ser uma gravação estrangeira”.
De acordo com o boletim, o ator contou que segurava uma blusa quando um integrante da equipe, descrito por ele como “um americano”, puxou a peça de sua mão e pediu que ele deixasse o local. O homem afirma ainda que foi chamado de “ladrão” e conduzido até a saída por seguranças. Ainda segundo o registro, o ator precisou retornar ao set para buscar pertences e trocar de roupa. Neste momento, ele afirma que um dos seguranças passou a encará-lo e apontar o dedo em sua direção.
“Nisso eu só levantei a mão para pedir pra ele se afastar um pouco, e ele deu um tapa na minha mão. Aí eu o empurrei para sair de cima de mim, nisso ele voltou e me deu um soco no rosto e testa”, diz trecho do boletim.
Um documento médico da UPA que atendeu o homem aponta um “pequeno ferimento de menos de 1 centímetro na região frontal da cabeça”. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que tem um inquérito aberto para investigar o caso.