Quarta-feira, 22 de maio de 2024

Provas presentes em celular e no computador apreendidos na casa do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro reforçaram delação que provocou ação da Polícia Federal

A delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, foi crucial para a operação da Polícia Federal (PF) realizada na quinta-feira (8), assim como celulares e computadores que haviam sido apreendidos no ano passado na casa do militar.

Cid passou cerca de quatro meses detido e aceitou colaborar com as investigações após o nome do pai, o general da reserva do Exército Lourena Cid, ser implicado na venda de joias sauditas dadas como presente de Estado ao ex-presidente.

“A investigação obteve elementos de prova que corroboram os fatos apresentados pelo colaborador, evidenciando a existência do decreto de golpe de Estado e as tratativas com militares de alta patente para aderirem a empreitada criminosa”, diz trecho do relatório da PF descrito na decisão do ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No relatório que embasou a operação, a corporação escreveu que “os elementos de prova colhidos por meio de diligências investigativas corroboram os elementos trazidos pela colaboração”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), favorável à operação, destacou em parecer: “A sistematização das condutas pela Polícia Federal partiu da divisão das tarefas executadas, de forma preponderante, pelos membros da suposta organização criminosa entre núcleos de atuação que visavam, na prática, a reversão do resultado das eleições de modo a impedir a posse do candidato eleito e manter o ex-presidente no poder”.

A partir do telefone e do computador de Mauro Cid, os investigadores tiveram acessos a vídeos e conversas em aplicativos de mensagens que ajudaram a evidenciar as práticas de crimes em apuração, como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Um exemplo é o vídeo citado na decisão de Alexandre de Moraes de uma reunião realizada em 5 de julho de 2022 pela cúpula do governo Bolsonaro em que o golpismo é discutido abertamente.

O então presidente, além de ministros como Anderson Torres, Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, trata abertamente de ilícitos como a infiltração de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas campanhas eleitorais rivais, ataques ao sistema eleitoral e o próprio golpe.

Mensagens trocadas por Cid com os militares alvos da operação mostram, inclusive, que todos eles tinham ciência de que estavam cometendo um crime.

“Não se tinha ideia do material que havia no celular e no computador dele”, afirmou o advogado Cézar Bitencourt, que defende Mauro Cid e participou da formulação de sua colaboração. Bitencourt reconheceu a relevância do material citado na decisão de Moraes.

Sobre os R$ 100 mil disponibilizados pelo ex-ajudante de ordens para custear despesas com hotel e alimentação para os apoiadores de Bolsonaro acampados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, o advogado disse “não ter ciência do que se trata”. Numa das conversas destacadas na decisão de Alexandre de Moraes, Cid sugere ao interlocutor “trazer pessoas” do Rio de Janeiro.

 

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