Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026

PT faz duros ataques a partidos que apoiaram Bolsonaro, ganharam ministérios no governo Lula, mas nas eleições municipais de 2024 estarão na campanha de candidatos bolsonaristas

O PT aprovou o texto-base de uma resolução política com críticas ao Centrão, grupo de partidos que fez aliança com o governo Lula, e ataques à meta de déficit zero para 2024.

“As forças conservadoras e fisiológicas do chamado Centrão, fortalecido pela absurda norma do orçamento impositivo num regime presidencialista, exercem influência desmedida sobre o Legislativo e o Executivo, atrasando, constrangendo e até tentando deformar a agenda política vitoriosa na eleição presidencial”, diz um trecho do documento.

O líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PR), argumentou que o governo depende da aliança com o Centrão para aprovar vários projetos em tramitação, como a reforma tributária e a medida provisória das subvenções. Nesse cenário, não seria prudente o PT atacar o grupo que tem como expoente o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Houve, ainda, muitas críticas a partidos que apoiaram o então presidente Jair Bolsonaro, ganharam ministérios no governo Lula, mas nas eleições municipais de 2024 estarão na campanha de candidatos bolsonaristas.

O documento de sete páginas também critica o Banco Central (BC) e diz ser necessário “se libertar” do que chamou de “austerício fiscal”, sem mencionar diretamente a meta de zerar o rombo das contas públicas no próximo ano, estabelecida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Confira os principais pontos do documento:

Críticas ao Centrão

O texto faz críticas ao Centrão, grupo de partidos que apoiam o presidente Lula e que têm ministros no governo.

“Vencemos numa campanha de frente ampla, para fazer um governo de coalizão, mas é inegável que nosso campo político permanece minoritário no Congresso Nacional. As forças conservadoras e fisiológicas do chamado Centrão, fortalecido pela absurda norma do orçamento impositivo num regime presidencialista, exercem influência desmedida sobre o Legislativo e o Executivo, atrasando, constrangendo e até tentando deformar a agenda política vitoriosa na eleição presidencial”, afirma o texto aprovado nesta sexta-feira.

Defesa de mobilização

O partido defende ser “urgente” uma organização política para alterar a correlação de forças.

“É necessário um esforço conjunto, de nossos dirigentes e ministros, dos nossos aliados na política e na sociedade, para levar à população o conteúdo político-transformador das mudanças e da reconstrução do país”, afirma o texto, que defende o que chama de disputa política cotidiana.

Contra ajuste fiscal

No documento, o partido fala que não “não faz nenhum sentido” num cenário de crescimento econômico “a pressão por arrocho fiscal”. A meta de déficit zero foi bombardeada por integrantes do partido e do governo ao longo do ano, mas foi mantida por Lula, ao menos por ora.

“O Brasil precisa se libertar, urgentemente, da ditadura do BC ‘independente’ e do austericídio fiscal, ou não teremos como responder às necessidades do país”, afirma o texto.

Política de juros

A autonomia do BC foi aprovada no governo Jair Bolsonaro e é criticada pelo PT. Essa autonomia garante mandato ao presidente Roberto Campos Neto até 2024. Campos Neto foi criticado por Lula diversas vezes ao longo do ano e também é alvo do documento por conta da Taxa Selic, que começou a cair em meados dos ano.

“A política de juros contracionista foi derrotada nas urnas em 2022, mas sobrevive como um prolongamento do governo anterior, sabotando o crescimento, a retomada do crédito e dos investimentos que o país precisa e tem condições de realizar num ambiente de racionalidade”, afirma o texto.

Bolsonaro

O partido também defende “responsabilizar e punir, de maneira firme e pedagógica” o ex-presidente Jair Bolsonaro por conta dos atos antidemocráticos do 8 de janeiro em Brasília

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