Sábado, 07 de fevereiro de 2026

PT quer afrouxar meta de inflação e critica o Banco Central

No ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai disputar o quarto mandato, o PT indica que tentará mudar os rumos da política econômica e da relação com o Congresso, caso vença as eleições de outubro. Uma resolução política aprovada pelo Diretório Nacional do partido prega o afrouxamento da meta de inflação, diz que a política monetária conduzida pelo Banco Central vai contra o projeto de Lula e fala em “sistema permanente de chantagem política” enfrentado pelo governo.

“É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação de políticas sociais”, diz um trecho do texto, obtido pelo Estadão.

A meta atual é de 3% e, no ano passado, a inflação foi de 4,26%, abaixo do teto de tolerância. Mesmo assim, a taxa Selic continua em 15% ao ano, o que, na avaliação da cúpula petista, é “incompatível com as necessidades do desenvolvimento nacional”. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo – indicado para o cargo por Lula, com apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad –, tem sido muito criticado por não atuar para baixar os juros.

“A política monetária conduzida pelo Banco Central, cuja autonomia foi instituída durante o governo Bolsonaro, tem operado como instrumento de bloqueio ao projeto eleito nas urnas, aprofundando a financeirização da economia, drenando recursos públicos e restringindo o investimento produtivo”, destaca o Diretório Nacional na resolução.

No rastro do escândalo do Banco Master, o partido de Lula tenta se descolar da crise e volta a defender o fim da autonomia do Banco Central, fazendo questão de assinalar que essa concessão foi aprovada na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A cúpula do PT está reunida em Salvador para comemorar os 46 anos do partido, que serão completados no próximo dia 10. Os debates e textos produzidos ali trazem uma amostra do que será a tônica da campanha de Lula à reeleição.

A direção petista classifica 2026 como “um dos anos mais desafiadores e decisivos” da sua história, elogia programas e projetos do governo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, e diz que tudo será feito para garantir palanques fortes a Lula, em todos os Estados.

“A captura do orçamento público por meio das emendas parlamentares impositivas e de mecanismos herdados do orçamento secreto distorce o presidencialismo, subordina políticas públicas a interesses privados e estabelece um sistema permanente de chantagem política sobre o Executivo”, diz a resolução política aprovada pelo Diretório Nacional do PT.

Mesmo sem citar partidos de direita, o PT defende “a maior ampliação possível” das alianças para a eleição de Lula e de mais deputados e senadores. O argumento é de que esse processo contribui não só para a governabilidade como para o fortalecimento da presença da legenda nas instâncias de poder.

“A correlação de forças no Congresso Nacional segue sendo um dos principais desafios ao avanço do projeto eleito nas urnas. Trata-se de um Congresso majoritariamente branco, masculino, conservador e fortemente comprometido com os interesses das elites econômicas”, afirma a resolução que passou pelo crivo do comando petista.

O partido admite que o governo não conseguiu acabar com a prática do orçamento secreto, que, mesmo proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), continua em vigor, mantida por subterfúgios usados em comissões do Congresso.

“A captura do orçamento público por meio das emendas parlamentares impositivas e de mecanismos herdados do orçamento secreto distorce o presidencialismo, subordina políticas públicas a interesses privados e estabelece um sistema permanente de chantagem política sobre o Executivo”, avalia o PT que, diferentemente de outras vezes, não cita o Centrão.

A resolução afirma, ainda, que “tributar bancos, bets e bilionários e aliviar o bolso de quem vive do trabalho é corrigir distorções históricas”, dando o tom do mote da campanha de Lula à reeleição. Diz também que o PT é um partido “democrático, popular e socialista”, que não fecha os olhos para “os bilhões movimentados por crimes financeiros”, em mais uma tentativa de se afastar da crise do Master.

Diante de um cenário que classifica como “nova arena de disputa política marcada pelo poder das big techs”, o PT prega a regulação das redes sociais.

“O espaço digital não pode ser território de manipulação nem instrumento de ataque às instituições. Precisamos de um esforço nacional de combate às fake news, e ao uso ilegal da Inteligência Artificial, para que tenhamos eleições verdadeiramente democráticas e transparentes”, sustenta o comando do partido. Tanto o projeto de lei que estabelece o marco legal da Inteligência Artificial como propostas para responsabilizar big techs estão paradas no Congresso. Com informações do portal Estadão.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Brasil perdeu US$ 5,4 bilhões em 2025 com desastres climáticos
Epstein convidou Eike Batista para visita a sua ilha no Caribe e almoço com Elon Musk
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play