Domingo, 29 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de março de 2026
Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República orientaram o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a pedir empenho máximo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na disputa pelo Planalto. Considerado internamente como “um fenômeno”, o parlamentar será escalado como um dos principais cabos eleitorais de Flávio nas ruas e também nas redes sociais, onde soma mais de 20 milhões de seguidores.
Números da mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg reforçam essa estratégia. Nikolas lidera o indicador de imagem entre os políticos testados no levantamento, com 46% dos eleitores respondendo que o veem positivamente, acima de Lula (43%) e do próprio Flávio Bolsonaro (43%).
Segundo a coordenação da pré-campanha do senador, o parlamentar mineiro será importante para conquistar votos de eleitores mais jovens e ajudar a disseminar pelas redes sociais os discursos do candidato com uma linguagem mais acessível e conectada ao público digital. Ele também será destacado para rodar o Brasil durante a campanha.
Nikolas já deu demonstrações do quanto pode ser útil na campanha. No ano passado, ele publicou um vídeo no qual dizia que o governo Lula tinha a intenção de taxar o Pix. A repercussão foi tamanha que obrigou o Planalto a recuar de uma medida que monitoraria movimentações financeiras feitas por essa modalidade de transferência.
Um episódio recente, porém, mostrou que posições em temas de costumes podem colocar o candidato e o deputado em lados opostos, comprometendo o esforço que Flávio Bolsonaro tem empreendido para se apresentar como o filho mais moderado de um pai considerado extremista.
Na última semana, o deputado mineiro publicou um vídeo desdenhando do projeto aprovado pelo Senado que institui o crime de misoginia e o equipara penalmente ao racismo. “Na prática, o que estão realmente querendo com essa criminalização da misoginia não é uma ação concreta contra, por exemplo, estupradores, contra criminosos, contra homens que batem em mulher, contra homens que cometem latrocínio, contra abuso sexual, não. É um instrumento de lei extremamente subjetivo para poder silenciar outras pessoas, inclusive mulheres”, criticou Nikolas.
O projeto foi aprovado por um placar de 67 a 0, com voto favorável de Flávio Bolsonaro.
Por outro lado, no início do ano Nikolas conseguiu mobilizar milhares de pessoas pelas redes sociais para uma caminhada que organizou de Minas Gerais a Brasília, em apoio a Jair Bolsonaro e protesto contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
“Ele precisa estar não só conosco, mas precisa estar integrado, engajado e comprometido. Tem que fazer o que for preciso ser feito para trazer os eleitores que escutam ele e se inspiram nele”, confidenciou um interlocutor da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
O protagonismo e o prestígio que Nikolas dentro do PL também tem despertado ciúme em algumas lideranças do partido. Caberá a Flávio Bolsonaro, contam consultores do pré-candidato, contornar esse problema. O senador foi aconselhado a promover conversas para enfatizar a importância da participação do parlamentar mineiro em sua campanha. (As informações são da revista Veja)