Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de janeiro de 2026
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado pelo governo Trump após ataque à Venezuela, vai passar por outra audiência na Justiça de Nova York no dia 17 de março. Até lá, ele e a mulher, Cilia Flores, vão continuar em prisão preventiva, sem direito a fiança. O julgamento só deve ser marcado para daqui a um ano. Maduro se declarou inocente e disse que é o prisioneiro de guerra e presidente sequestrado da Venezuela.
Ao descrever a operação na Venezuela no sábado (3), Trump falou na Doutrina Monroe de 1823 e sua promessa de “América para dos americanos”. Ele a renomeou como “Doutrina Donroe”. Após o ataque que chocou o mundo, jornalistas perguntaram ao presidente americano Donald Trump sobre seus planos de possíveis ações militares em outros países, citando Cuba e Groenlândia.
Apesar de não ter dito explicitamente que planeja uma nova invasão, Trump passou alguns recados, além de já ter feito declarações no passado que dão uma direção de seus interesses. Entenda quais países podem estar na mira de Trump.
Groelândia
O assunto é foco de polêmicas desde que Trump retornou à Casa Branca para seu futuro mandato, ameaçando diversas vezes tomar a ilha da Groenlândia, que é um território autônomo administrado pela Dinamarca. Os EUA já possuem uma base militar na Groenlândia, chamada de Base Espacial Pituffik, mas Trump quer a ilha inteira, e vem aumentando a pressão.
O solo da ilha é rico em recursos naturais e o presidente Trump defende que o local é importante por ser rota de navios de diversas nacionalidades, e também poderia abrigar infraestrutura militar para impedir ataques da Rússia ou da Europa.
No dia 22 de dezembro de 2025, Trump anunciou a designação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia e voltou a citar razões de segurança nacional e o potencial mineral da ilha para justificar a iniciativa.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, repudia a ideia. “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos a discussões. Mas isso deve acontecer pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”, disse ele.
Nielsen ainda lembrou que qualquer tentativa dos EUA de tomar a Groenlândia os colocaria em conflito com outro membro da OTAN, colocando a aliança em risco.
Cuba
O ataque à Venezuela feito pelo governo Trump matou 32 oficiais cubanos durante sua operação neste fim de semana, informou o governo, na primeira contagem oficial de mortos divulgada. O governo cubano mantinha relações estreitas com a Venezuela de Nicolás Maduro.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, há muito tempo defende a mudança de regime em Cuba, declarando a jornalistas no sábado: “Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, estaria preocupado, pelo menos um pouco”. “Quando o presidente fala, você deve levá-lo a sério”, disse ele.
Perguntado sobre Cuba, Trump sugeriu que a intervenção militar dos EUA não era necessária, porque Cuba está “pronta para cair”.
O país está sob sanções dos EUA desde o início da década de 1960, na Guerra Fria. “Não acho que precisemos de nenhuma ação”, disse ele. “Parece que a situação está melhorando.”
Colômbia
Algumas horas após a operação na Venezuela, na coletiva de imprensa no dia 3, Trump alertou o presidente colombiano Gustavo Petro para “tomar cuidado”, e descreveu o primeiro presidente de esquerda da Colômbia como “um doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”.
Petro afirmou na segunda-feira (5) que “pegaria em armas” diante das ameaças de Donald Trump. Ele publicou na rede social X: “Jurei não voltar a tocar em uma arma… mas, pela pátria, voltarei a pegar em armas”. Petro também voltou a negar as acusações de envolvimento com o narcotráfico.
Vizinha da Venezuela, a Colômbia possui reservas substanciais de petróleo e é uma importante produtora de ouro, prata, esmeraldas, platina e carvão.
A relação entre Petro e Trump é tensa desde o início de 2025, quando o governo colombiano devolveu um avião com migrantes deportados algemados. (Com informações do portal da rádio CBN)