Terça-feira, 17 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de março de 2026
Para a maioria esmagadora dos trabalhadores brasileiros está cada dia mais complicado entender os absurdos que surgem no ambiente dos três Poderes. Quando achamos que já tínhamos visto e vivenciado o que há de pior aparecem fatos mais inacreditáveis. Antes de tratar disso relembro, para não esquecermos:
Entre 2024 até esse início de 2026 começamos com a investigação da tentativa de golpe e que culminou com a condenação de altas autoridades militares e figuras próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ele condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Foi considerado culpado por crimes como organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio.
Também assistimos a disputa pelo controle do orçamento, especialmente após restrições do STF sobre emendas parlamentares, o que intensificou o atrito entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. Agora estamos assistindo um daqueles que se enquadram na série morro e não vejo tudo: o Supremo Tribunal Federal (STF) o que especialistas chamam de “maior crise de sua história”, com questionamentos internos sobre conduta de ministros e indiscutivelmente conflitos éticos que está estampado no caso do Banco Master e que ainda estamos assistindo o primeiro capítulo.
O que fica muito claro é que nos diversos casos envolvendo políticos há fortes indícios de corrupção e as investigações da Polícia Federal indicam que há envolvimento de políticos de diversos espectros ideológicos e autoridades. E isso está estampado na decisão da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com investigações que apontam para tentativas de influência política para encobrir um rombo financeiro bilionário. Não podemos esquecer que recentemente veio à tona mais um caso grave. Não é de um político, mas, a suspeita está no “universo do poder político “.
Refiro-me ao “Lulinha”, filho do presidente Lula que teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pelo STF a pedido da Polícia Federal (PF) poucos dias atrás. Ele é investigado por suposta ligação com operadores de um esquema bilionário de fraudes no INSS, que envolvia descontos ilegais em aposentadorias. Considero muito importante essa reflexão, debate e agir para mudar. Sempre! Nesse ano ainda mais! Entra eleição e esse filme volta a cartaz.
Não restam dúvidas que a corrupção política e os erros de gestão que afetam desproporcionalmente nós trabalhadores e as camadas menos favorecidas socialmente não devem continuar imperando no nosso país. Como sabemos elas desviam recursos essenciais de serviços públicos básicos, que são justamente os mais utilizados por essa parte da população. Os mais pobres dependem exclusivamente do Estado enquanto a classes média e alta tem condições de pagar planos de saúde, educação e segurança privada.
Precisamos ficar atentos para que o filme que nós trabalhadores já assistimos não seja o mesmo que quer nos fragilizar ainda mais não continue na nossa vida. Um filme que tem no seu elenco atores e atrizes que não querem a mobilidade social. Querem fragilizar pilares da dignidade no trabalho e igualdade social.
Ou seja, a república que queremos não é essa desse filme repetido nos diferentes Congressos e Governos. É aquela que não seja apenas um regime de eleições, mas que tenha mecanismos que permitam aos cidadãos comuns influenciar as decisões políticas, tornando o governo mais “do povo” do que “dos representantes”.
Nós trabalhadores da construção civil sabemos que nenhuma obra se levanta sem projeto, sem responsabilidade e sem compromisso com quem vai viver dentro dela. O Brasil também é uma grande obra coletiva — e há muito tempo precisa de reparos profundos em suas estruturas políticas, éticas e sociais. As eleições que se aproximam são mais do que uma disputa de poder: são uma oportunidade de reconstrução. É hora de escolher com consciência, coragem e compromisso com o futuro. O país que queremos não pode ser improvisado, nem erguido sobre interesses menores. Vamos passar o Brasil a limpo. Agora!
* Gelson Santana é presidente do STICC e Secretário Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Construção Pesada e em Montagem Industrial UGT.