Segunda-feira, 27 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de abril de 2026
Ultimamente, virou moda nas redes sociais redescobrir ideias antigas com nomes novos. Gnosticismo… demiurgo… arquiteto do universo…
Teorias que tentam explicar que talvez aquilo que chamamos de Deus não seja exatamente o topo da hierarquia. Que existiria algo acima, mais puro, mais verdadeiro, mais distante da matéria e da nossa realidade.
Confesso… é interessante. Provoca, instiga, amplia. Pensar nunca fez mal a ninguém, embora alguns tratem isso como algo perigoso, a ponto de certos governos tentarem controlar o pensamento do povo.
Mas tem um detalhe curioso nisso tudo. Enquanto alguns discutem quem criou o universo, outros simplesmente vivem dentro dele. E é aí que a coisa começa a fazer sentido.
Porque, no fim das contas, pouco importa se é Deus, demiurgo, energia ou qualquer outro nome sofisticado. O que importa é o que acontece quando você se conecta com o bem.
Eu não sei explicar em termos acadêmicos. Mas sei em termos de vida. Quando eu oro, funciona. Quando eu me alinho com o que é certo, as coisas fluem.
Quando eu me afasto, o ruído aparece. Simples assim. E talvez a maior arrogância humana seja essa. Achar que precisa entender tudo antes de viver aquilo que já dá resultado.
Em outra crônica, eu falei sobre a analogia da formiga, e ela continua fazendo sentido aqui. Se você construir um habitat para formigas dentro da sua casa, alimentar aquelas pequenas vidas, observar seus movimentos, interferir no ambiente delas, então, de certa forma, você será o demiurgo daquele pequeno mundo.
Agora, imagine uma formiga mais “intelectualizada” tentando questionar sua existência, suas intenções ou a estrutura daquele universo em que vive. Que diferença real isso faria para ela?
Ela pode até formular teorias, pode até chegar perto de alguma lógica, mas jamais compreenderá tudo – e muito menos conseguirá mudar sua realidade.
Não por falta de esforço, mas por limitação de dimensão. E, talvez, seja exatamente isso que nós sejamos diante do universo. Formigas tentando decifrar o invisível, enquanto esquecemos, muitas vezes, da única parte que realmente nos cabe: viver corretamente dentro daquilo que já foi criado.
O problema nunca foi buscar respostas. O problema é quando a busca vira soberba. Quando o homem começa a se comportar como se estivesse no topo, quando, na verdade, mal entende o próprio chão em que pisa.
Porque existe algo que independe de teoria. Existe o bem e existe o mal. E isso não é filosofia. É prática. Você sente. Você vive. Você colhe.
E não importa se acima de tudo existe um Deus supremo, um demiurgo ou uma cadeia infinita de criadores, como sugere o filme Men in Black.
O princípio continua valendo. O bem constrói. O mal corrói.
Jesus Cristo, independentemente de qualquer teoria, deixou algo muito mais simples — e muito mais poderoso — do que qualquer debate filosófico: a fé move montanhas, a intenção transforma, a conexão cura.
Se isso é espiritual, psicológico ou algo que ainda não entendemos, talvez pouco importe. Porque funciona. E, talvez, essa seja a parte que mais incomoda os intelectuais de sofá.
A verdade não precisa de nome complicado para existir. Enquanto alguns discutem a estrutura do universo, outros, silenciosamente, melhoram a própria vida apenas escolhendo o lado certo.
No fim, não é sobre quem criou o universo, é sobre o que você faz com a vida que recebeu. Porque entender tudo não salva ninguém. Mas viver certo, independente de credo ou religião, isso sim muda tudo.
Deus não fica mais forte ou mais fraco quando você acredita. É o homem que deixa de ser fraco quando acredita.
* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta gaúcho