Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de setembro de 2026
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, assumiu interinamente o comando da corporação após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues na manhã desta terça-feira (8). Murad é o substituto imediato do diretor-geral conforme as normas internas da instituição.
Na estrutura da Polícia Federal, o diretor-executivo ocupa o segundo posto da corporação e também precisa ser delegado de classe especial. Com o afastamento de Rodrigues, Murad passa a acumular as atribuições da diretoria-executiva com as funções de diretor-geral, enquanto a situação permanecer sob análise.
Entre as responsabilidades do cargo estão a coordenação das atividades operacionais da Polícia Federal em todo o país, a administração do orçamento da instituição, a realização de nomeações e a representação da corporação em compromissos oficiais e relações institucionais.
Horas após assumir interinamente a chefia da PF, Murad declarou ter “total confiança” em Andrei Rodrigues. A manifestação ocorreu durante um evento na Academia Nacional de Polícia (ANP), em que novos alunos participavam do curso de formação da corporação.
Durante o discurso, Murad afirmou: “Aqui, reafirmamos a nossa total confiança na direção-geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues”.
A substituição é temporária e não interrompe, conforme as normas da corporação, o funcionamento regular da Polícia Federal. As operações e investigações conduzidas pela instituição permanecem sob responsabilidade de seus setores enquanto o afastamento de Rodrigues estiver em vigor.
Quem é William Murad
William Marcel Murad é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e ingressou na Polícia Federal em 2002. No primeiro ano na corporação, concluiu o Curso de Formação Profissional da Academia Nacional de Polícia como primeiro colocado da turma.
Em 2003, realizou especialização em Inteligência Antidrogas na Escuela Regional de la Comunidad Americana de Inteligencia Antidrogas, em Lima, no Peru. Em 2010, participou de formação na FBI National Academy, na Virgínia, nos Estados Unidos.
No Brasil, Murad também realizou o Curso de Inteligência Policial da Diretoria de Inteligência Policial, em João Pessoa (PB), em 2005, e o Curso Superior de Polícia da Academia Nacional de Polícia, em 2012.
O delegado também atua na formação de novos policiais federais. Na Academia Nacional de Polícia, leciona disciplinas relacionadas a Planejamento Operacional e Direção Operacional.
Ao longo da carreira, Murad ocupou funções em diferentes áreas da Polícia Federal. Entre 2002 e 2004, foi chefe substituto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Pernambuco. De 2004 a 2008, trabalhou no Rio Grande do Norte, onde exerceu as funções de chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, chefe do Núcleo de Inteligência Policial e delegado regional de combate ao crime organizado.
Entre 2008 e 2010, comandou a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários. Depois, entre 2010 e 2013, foi chefe da Delegacia da Polícia Federal em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.
Nos anos de 2014 a 2016, Murad integrou a Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos, vinculada ao Ministério da Justiça, participando das estruturas de segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, realizados no Brasil.
Na estrutura central da Polícia Federal, ocupou os cargos de coordenador-geral de Inteligência, entre agosto e dezembro de 2017; coordenador-geral de Tecnologia da Informação, entre dezembro de 2017 e maio de 2018; e diretor de Tecnologia da Informação, de maio de 2018 a maio de 2021.
Antes de assumir a diretoria-executiva da Polícia Federal, Murad atuou junto às representações diplomáticas brasileiras na Grã-Bretanha, por meio da Diretoria de Cooperação Internacional, entre novembro de 2021 e dezembro de 2024.