Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de janeiro de 2026
Uma marca inconfundível de todo governante populista é a ojeriza pela teoria e prática da responsabilidade fiscal. Eles gostam mesmo é de gastança – dinheiro público concedido fartamente para agradar o distinto eleitorado, para garantir votos na próxima eleição, para permanecer nos postos de mando e poder.
Não tem importância se eles estouram todos os limites: eles fazem o fácil, que é assinar os cheques das benemerências e proclamar aos quatro ventos a bondade que trazem no coração. E o que não dá para conceder, o que possivelmente ultrapasse todos os limites, é porque os adversários políticos estão empenhados em atravancar.
O populista clássico jamais se ocupa da coluna de gastos do governo. Ele está ali para “administrar” os recursos públicos, aqueles já existentes e aqueles que estão por se efetivar no futuro. Ele se considera na obrigação de fazer o bem de uma só vez, isto é, durante o seu mandato.
Se a conta feita a perder de vista, com a tomada de empréstimos, com a emissão de moeda, e com toda a sorte de manobras antecipatórias de receita, isso é outro problema – no prazo do vencimento quem estiver no governo que se vire, que pague, que tome mais dinheiro emprestado, ou que institua novas formas de extorquir dinheiro da sociedade e do setor produtivo.
Cortar despesas? Faça o favor de não introduzir assuntos desagradáveis à mesa, à baila. Falar em diminuição de custos, racionalidade administrativa, produtividade, e coisas assim, é de profundo mau gosto, senão de grave falta de educação.
Isso é coisa das elites, da turma da Faria Lima, dos rentistas, dos economistas da direita, dos neoliberais, de toda essa gente que além de detestar os pobres, faz de tudo para que eles permaneçam pobres.
Ah, mas alguém contestará que os ricos não têm nenhuma razão para ficar contra os pobres, porque se estes se emanciparem, melhorarem de vida, haverá mais consumidores e eles – os ricos – ganharão mais dinheiro vendendo bens e serviços. Errado, dizem. Os ricos detestam os pobres por pura maldade.
E por aí vai. E no entanto, a austeridade fiscal, a responsabilidade fiscal não é de direita ou de esquerda: traduz um gasto que corresponda minimamente à receita, e é um imperativo não apenas da racionalidade administrativa, da lógica matemática, da boa performance do estado, do futuro do país, da redução da miséria e da pobreza, do desenvolvimento sustentável.
Os defensores de uma certa “flexibilidade” fiscal, os que dizem que um pouco de inflação não causa mal, na verdade, sempre desprezaram o equilíbrio das contas públicas, basicamente porque não gostam do mercado e das suas leis pétreas, porque acham que os ricos já ganham além da conta, sustentam que é preciso esfolar sempre, com tributos e taxas, as empresas, os agentes produtivos.
Não há exemplo mais vivo e presente do que o atual governo: fez 25 tentativas (e em muitas delas foi bem sucedido) de resolver o rombo fiscal através do aumento de taxas e tributos. Gasta-se demais, sob os mais variados pretextos, inclusive razoáveis e justos, depois remete-se a conta ao contribuinte, ao respeitável público.
(titoguarniere@terra.com.br)