Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de fevereiro de 2026
Em tramitação no Congresso Nacional e com apoio do governo federal, a proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê a redução da escala básica de trabalho no País tem sido alvo de preocupação pela cúpula da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). A entidade voltou a se manifestar contra a medida, por meio de texto veiculado em seu site e distribuído à imprensa nessa quarta-feira (25).
A avaliação é de que uma eventual mudança nas regras pressionaria a economia, além de comprometer a competitividade gaúcha. Confira, a seguir, os principais trechos do comunicado – a íntegra pode ser conferida em fiergs.org.br.
“O Sistema Fiergs alerta que as propostas de redução da jornada de trabalho – com iniciativas que vão desde a transição para 40 horas semanais até a fixação constitucional de 36 horas, em alguns casos com adoção da semana de quatro dias (4×3) e sem redução salarial – pressiona a economia e pode afetar a competitividade industrial e o nível de empregos no Rio Grande do Sul. Para a Federação, as medidas ampliam custos em um momento já delicado para o setor produtivo.
– “A situação é bastante delicada. Os industriais precisam lidar com juros elevados e um cenário externo adverso. Com o aumento do custo da mão de obra, haverá impacto na geração de renda, nas decisões de contratação e nos investimentos”, afirma. Ao reduzir compulsoriamente a jornada sem ocorrer redução proporcional dos salários, há um aumento automático do custo do trabalho para as empresas, já que a mesma remuneração passa a ser distribuída por um número menor de horas, e também um aumento no valor dos produtos fabricados, que refletirá em toda a sociedade”.
– “Esse cenário se torna mais preocupante diante da estagnação da produtividade brasileira. Comparações internacionais indicam que a produtividade do trabalhador brasileiro corresponde a cerca de 25% da alcançada por um trabalhador norte-americano, ou seja, em média, um trabalhador dos Estados Unidos produz aproximadamente quatro vezes mais no mesmo período. Além disso, entre 1990 e 2024, a produtividade no Brasil cresceu apenas 0,9% ao ano, ritmo significativamente inferior ao observado em economias emergentes como China (8%), Índia (5,1%) e Coreia do Sul (4,2%)”.
Comparativo
– “A evidência internacional sugere que países que conseguiram reduzir a jornada de trabalho de forma sustentável o fizeram apoiados em ganhos consistentes de produtividade, investimentos em educação, inovação e tecnologia”.
– “Para discutir esse assunto, o Brasil precisaria apresentar aumento consistente na produtividade. A Coreia do Sul, por exemplo, reduziu a jornada de 44 para 40 horas semanais em um contexto de crescimento médio anual da produtividade de 4,2% (…). Em contraste, a experiência francesa, que reduziu a jornada de 39 para 35 horas, resultou em aumento de custos, perda de competitividade e desaceleração do crescimento da produtividade, que ficou em 0,9% ao ano”.