Segunda-feira, 27 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de abril de 2026
Se você já tomou um refrigerante zero e sentiu a barriga estufada logo depois, saiba que não está sozinho. Além do gás carbônico presente em qualquer refrigerante, que por si só já aumenta a distensão abdominal e a eliminação de gases, a versão zero pode causar ainda mais desconforto em algumas pessoas.
Isso acontece porque, no lugar do açúcar, entram os adoçantes artificiais – como aspartame, sucralose, acessulfame-K e até polióis, como o sorbitol. Eles têm uma forma diferente de serem metabolizados no corpo e, dependendo da sensibilidade de cada pessoa, podem gerar gases extras e até cólicas.
Por que o refrigerante zero pode causar mais gases?
Segundo a nutricionista Letícia Lenzi, a explicação está justamente nesses adoçantes. “Os adoçantes artificiais podem não ser totalmente absorvidos no intestino ou até fermentar, aumentando a produção de gases e a sensação de estufamento em pessoas mais sensíveis”, explica.
Estudos recentes também sugerem que substâncias como sucralose e aspartame podem alterar a flora intestinal, reduzindo bactérias benéficas e favorecendo inflamações de baixo grau. Ou seja, os efeitos vão além do desconforto imediato.
Sorbitol x Aspartame: nem todo adoçante age igual
Dentro da versão zero, alguns adoçantes são mais problemáticos que outros. O sorbitol, por exemplo, é um poliol que não é totalmente absorvido no intestino delgado. “Ele chega ao cólon e acaba fermentando com ajuda das bactérias intestinais, o que gera gases, cólicas e até diarreia. Além disso, possui efeito osmótico, atraindo água para o intestino e causando fezes amolecidas ou urgência evacuatória”, detalha Lenzi.
Por isso, pessoas com síndrome do intestino irritável (SII) tendem a ser mais sensíveis ao sorbitol. Inclusive, quando usado em grandes quantidades, existe até recomendação de alerta no rótulo.
Já o aspartame funciona de outro jeito. “Ele é absorvido quase totalmente no intestino delgado e quebrado em aminoácidos. Isso significa que não chega praticamente nada intacto ao cólon, então não fermenta. Logo, não costuma causar gases ou diarreia imediatos”, explica a nutricionista.
Apesar disso, alguns estudos apontam que o consumo crônico de aspartame pode alterar indiretamente a microbiota intestinal, trazendo efeitos mais sutis em longo prazo.
Então, qual refrigerante zero escolher?
Para quem não abre mão do refrigerante zero, vale observar qual adoçante está presente na fórmula. Pessoas mais sensíveis devem evitar os que contêm polióis, como o sorbitol. “É sempre importante prestar atenção no tipo de adoçante usado. Em excesso, alguns podem causar desconfortos fortes, principalmente em quem já tem predisposição intestinal”, reforça Lenzi.
A nutricionista também compartilhou um ranking dos refrigerantes zero mais bem avaliados atualmente: Refrigerante de limão zero; Refrigerante de guaraná zero; Refrigerante de coca zero; Refrigerante de laranja zero.
Vale a pena trocar o normal pelo zero?
Embora a versão zero possa gerar mais gases em algumas pessoas, ela ainda é vista como uma alternativa interessante para quem busca reduzir o consumo de açúcar. O segredo está na moderação e na escolha consciente do tipo de adoçante presente.
“Não existe certo ou errado absoluto. O que existe é a sensibilidade individual. Se você percebe que um tipo de refrigerante zero te deixa muito estufado, vale testar outro ou reduzir o consumo”, finaliza Letícia Lenzi.