Quarta-feira, 25 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de março de 2026
De outubro a dezembro do ano passado, o mercado de trabalho apresentou estabilidade no Rio Grande do Sul, marcada pela manutenção de 65,6% na taxa de participação na força laboral. O nível de ocupação subu para 63,2%, com acréscimo de 82 mil indivíduos em relação ao trimestre imediatamente anterior – totalizando assim mais de 5,9 milhões de trabalhadores no mapa gaúcho.
Paa quem não está familiarizado ao termo, um esclarecimento sobre a mencioada “participação na força de trabalho”: trata-se da parcela populacional com ao menos 14 anos (idade mínima exigida no Brasil) e que estão empregadas ou procurando emprego.
Já a taxa de desocupação ficou em 3,7%, estável na margem e inferior aos 4,5% registrados no quarto trimestre de 2024. Já o contingente de desocupados foi estimado em 229 mil pessoas, com redução de 51 mil na comparação interanual.
Na comparação com as demais unidades da Federação, o Estado apresentou a sétima menor taxa de desocupação no período. Também caiu do 6º para o 8º lugar na taxa de participação na força de trabalho e da 5ª para a 7ª posição no nível de ocupação.
Os dados integram boletim oficial divulgado nessa terça-feira (24) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). Sua autoria é dos pesquisadores Guilherme Xavier Sobrinho e Raul Bastos, a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) – base estatística produzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Outros indicadores
Ainda conforme o relatório, a taxa de informalidade foi de 30,1% no quarto trimestre, inferior aos 32,1% observados no mesmo período de 2024. Esse contingente foi estimado em mais de 1,78 milhão de pessoas, com redução interanual de 118 mil trabalhadores, o que corresponde a 19,7% da queda nacional nesse grupo.
A taxa combinada de desocupação e subocupação ficou em 6,2%, sem variação relevante em relação ao trimestre anterior e com redução de 1,1 ponto percentual na comparação com o quarto trimestre de 2024.
Já a incidência da desocupação de longo prazo foi de 25,8%, inferior à registrada no terceiro trimestre de 2025 (29,2%) e superior à observada no quarto trimestre de 2024 (21,2%).
O rendimento médio mensal real habitual, por sua vez, foi estimado em R$ 3.968, sem variação significativa na margem ou na comparação interanual. A massa de rendimento mensal real habitual passou de R$ 23 bilhões, com alta de 3,2% em relação aos três meses anteriores (julho a setembro).
Emprego formal
No acumulado de 12 meses entre janeiro de 2025 e o primeiro mês deste ano, o Rio Grande do Sul registrou saldo positivo de 36,5 mil vínculos formais de trabalho, o que representa variação de 1,3% no estoque de empregos. O crescimento foi inferior ao observado no Brasil (2,6%) e relegou ao Estado o último lugar em termos de crescimento percentual do emprego formal.
O setor de serviços concentrou a maior parte das vagas, com 32,8 mil vínculos, o equivalente a cerca de 90% do saldo total. O comércio registrou saldo de 5,3 mil vínculos, com crescimento de 0,8%. A indústria e a construção apresentaram variações próximas da estabilidade, com crescimento de 0,2% e 0,1%, respectivamente. Já a agropecuária registrou retração de 3,1 mil vínculos, o que corresponde a queda de 2,7% no período.
As mulheres foram responsáveis por 78,2% do saldo de empregos formais, o que corresponde a 28,5 mil vínculos. Na análise por faixa etária, os trabalhadores de até 24 anos registraram saldo positivo de 66,8 mil vínculos, enquanto todos os intervalos de idade a partir de 25 anos apresentaram saldo negativo, com destaque para a redução de 13,4 mil vínculos de pessoas de 50 a 64 anos.
Em relação à escolaridade, o crescimento do emprego concentrou-se nos trabalhadores com ensino médio (completo e incompleto). Já entre aqueles com ensino superior completo, houve saldo negativo de 2,2 mil vínculos, com desligamentos superiores às admissões.
No tocante aos assalariados formais do Estado, 83,8% (2,587 milhões de indivíduos) possuíam rendimento médio mensal nominal de até R$ 5 mil no quarto trimestre, enquadrando-se assim no novo limite de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, que entrou em vigor neste ano.
(Marcello Campos)