Sábado, 28 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de fevereiro de 2026
O esquema de fraudes no INSS teve desdobramentos que causaram incômodo em lideranças evangélicas — com direito a bate-boca entre o pastor Silas Malafaia e a senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF). O pano de fundo de tanta irritação é a presença de um ex-presidente da bancada evangélica da Câmara, cuja família recebeu R$ 1,8 milhão de uma das entidades investigadas pela fraude.
Esse enredo veio à tona com a apuração do repórter do portal O Globo Bernardo Mello, que descobriu as ligações entre o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), cuja família lidera a Assembleia de Deus de Belém; e Abraão Lincoln, que dirige a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca (CBPA).
Bernardo explica como a amizade entre Silas Câmara e o dono da CBPA foi importante para a assinatura do acordo, em 2021, que levou o INSS a começar a mandar dinheiro para a entidade. Ele também conta como descobriu, com documentos dos arquivos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que Abraão Lincoln repassou verba para uma série de empresas de parentes do Silas Câmara. De acordo com as investigações, os pagamentos do INSS para a CBPA se basearam em listas falsas de associados à entidade da pesca, que nunca autorizaram esses repasses. A reportagem buscou traçar um dos possíveis caminhos desse dinheiro, e por que isso vem atraindo tanta atenção de parlamentares e pastores.
André Mendonça autorizou quebras de sigilos de Lulinha antes da CPI do INSS
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancários, fiscais e telemáticos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A decisão foi tomada antes da sessão desta quinta-feira, 26, da CPI do INSS, quando foi aprovada a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mendonça é o relator das investigações sobre fraudes no INSS e autorizou as medidas a pedido da Polícia Federal em janeiro. A decisão não foi divulgada porque o caso tramita no Supremo sob sigilo. A informação inicial é do site Poder360 e foi confirmada pelo Estadão com fonte com acesso ao processo.
Nas investigações, a Polícia Federal apontou citações a Lulinha nas investigações sobre desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Como mostrou o Estadão em janeiro, há indícios de que o filho do presidente atuou como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de ser o principal operador do esquema fraudulento.
A defesa de Lulinha afirma que não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime. “Peticionamos ao STF pedindo acesso à suposta quebra de sigilo, informando que forneceremos voluntariamente ao Tribunal os documentos pertinentes”, diz a nota. Com informações dos portais Estadão e O Globo.