Terça-feira, 24 de março de 2026

Restrições a visitas a Bolsonaro impostas por Moraes fortalecem Michelle nas definições estaduais

As resrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelos próximos 90 dias, tendem a fortalecer a voz e as posições da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), em meio à intrincada relação com outros membros da família e integrantes da classe política. Isso tende a ser determinante para a negociação de palanques estaduais.

Enquanto Bolsonaro estava preso, Michelle e os filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-vereador Carlos Bolsonaro, gozavam de situação semelhante. Todos precisavam seguir as datas de visita previstas, às quartas e sábados, tendo pouco tempo de convívio e espaço para conversas com o ex-presidente.

A prisão domiciliar e a manutenção dessa restrição apenas aos filhos, já que Michelle mora no local, dá mais fôlego à ex-primeira-dama nas negociações. Ela terá 24 horas diárias para argumentar e defender suas posições, por muitas vezes diversas das colocadas pelos filhos, como visto recentemente no Ceará, no Distrito Federal e em Minas Gerais.

Flávio ainda poderá minimizar essa “vantagem” de Michelle usando a posição de advogado do ex-presidente. Ainda assim, não terá as mesmas condições. As visitas poderão ser diárias, mesmo fora das datas previstas para os demais visitantes, mas por penas 30 minutos a cada vez.

Além da vantagem sobre os filhos de Bolsonaro, com quem trava um reconhecido cabo de guerra, Michelle também contará com o fato de que será o principal canal de comunicação do restante da classe política com o ex-presidente. Afinal, a ‘noventena’ que restringe visitas de quaisquer pessoas de fora da família – à exceção de profissionais de saúde e advogados – valerá até o final de junho, abarcando o principal momento de definições de formação de chapas para a disputa eleitoral.

O fortalecimento de Michelle pode ajudar também os aliados mais próximos dela. Como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por exemplo, que trabalha nas discussões sobre a chapa de senadores em São Paulo e defende um nome mais moderado do que os de Mello Araújo, preferido hoje do ex-presidente, ou Mário Frias e Gil Diniz, nomes que teriam apoio de Eduardo Bolsonaro.

Também são mais próximos de Michelle o deputado federal Nikolas Ferreira (MG), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o pastor Silas Malafaia, um crítico da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com isso, ganhariam mais capacidade de influenciar as posição do ex-presidente e, eventualmente, demover Flávio, Carlos e, sobretudo, Eduardo Bolsonaro, de posições em relação a certas alianças.

Um caso bem claro se dá em Minas. Michelle é próxima de Nikolas, que prefere manter o apoio a Mateus Simões (PSD), enquanto Flávio considera que o novo governador “o puxa para baixo” e prefere lançar outro nome ou apoiar Cleitinho Azevedo (Republicanos). No Ceará, Flávio tentar se reaproximar de Ciro Gomes (PSDB), enquanto Michelle prefere endossar a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo). No caso do DF, Michelle prefere a deputada federal Bia Kicis (PL) como companheira de chapa no Senado, enquanto o grupo de Flávio pisca para o senador Izalci Lucas (PL). Em todos esses casos, a posição de Michelle agora chegará mais facilmente ao marido.

(Ricardo Correa/AE)

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