Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de maio de 2026
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) divulgou, nesta quarta-feira (13), uma “profunda preocupação e veemente oposição à recente decisão do governo federal de revogar a chamada taxa das blusinhas”.
Conforme a entidade, o fim da cobrança representa um grave retrocesso para o ambiente econômico nacional, comprometendo a competitividade da indústria brasileira e, especialmente, da indústria gaúcha.
“O setor produtivo nacional ainda enfrenta os efeitos acumulados da pandemia, das instabilidades geopolíticas decorrentes da guerra na Ucrânia desde fevereiro de 2022 e do atual conflito envolvendo o Irã, fatores que pressionam o preço internacional dos combustíveis e elevam custos logísticos e produtivos”, salienta.
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, que foi sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. Após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme.
Além do imposto de importação, dez Estados elevaram sua tributação, por meio do ICMS, também para 20%, com validade em abril do ano passado.
Estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstra que a implementação da chamada “taxa das blusinhas” evitou a entrada de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em produtos importados no Brasil, contribuindo para a preservação de mais de 135 mil empregos e cerca de R$ 20 bilhões em movimentação econômica no país. Os dados evidenciam que a medida possui efeitos concretos sobre a manutenção da atividade produtiva, da renda e da arrecadação.
Segundo a Fiergs, os impactos no Rio Grande do Sul serão “severos”.
“A indústria gaúcha ainda enfrenta consequências econômicas relevantes associadas às enchentes de 2024, cujo prejuízo estimado ao setor industrial alcançou R$ 14 bilhões, segundo estudo do Banco Mundial realizado com suporte de dados fornecidos pela Fiergs. Após uma reação inicial no final de 2024, a atividade voltou a perder dinamismo ao longo de 2025 e 2026, pressionada pelos juros elevados, pelas incertezas fiscais, pelos gargalos logísticos remanescentes das enchentes, por problemas sanitários e pelos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos”, frisa.
A entidade reforça que eliminar a tributação mínima sobre remessas internacionais amplia a concorrência desleal e destaca que a defesa da tributação não representa oposição às importações.
“A abertura comercial e a concorrência são fundamentais para o aumento da produtividade e da eficiência econômica. Contudo, essa concorrência precisa ocorrer em bases equilibradas. Produtos importados devem ingressar no país submetidos a condições tributárias e regulatórias minimamente equivalentes às exigidas da indústria nacional”, pontuou.