Domingo, 22 de março de 2026

Risco de a guerra continuar pressiona o petróleo e impõe perdas às Bolsas

Os temores de um recrudescimento da guerra no Oriente Médio alimentaram ontem o nervosismo nos mercados. À ameaça do presidente Donald Trump de bloquear a ilha iraniana de Kharg, a fim de pressionar pela reabertura do Estreito de Ormuz, somou-se o aumento do risco de uma invasão por terra ao Irã – que, por sua vez, passou a falar em ataques a locais turísticos em todo o mundo. Com esse nível de tensão, o preço do petróleo registrou mais um dia de alta e as Bolsas voltaram a fechar em queda.

“Se houver um conflito armado terrestre mais pronunciado, e se mais países entrarem no conflito, terá bastante potencial para impactar os preços do petróleo, assim como o câmbio e as Bolsas”, disse Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital.

Referência para a maioria dos países, caso do Brasil, o barril do petróleo tipo Brent para entrega em maio foi a US$ 112, uma alta de 3,26% no dia. Só nesta semana, a variação acumulada chegou a 8,77%. O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que pode levar até seis meses para restabelecer os fluxos de petróleo e gás a partir do Golfo Pérsico. Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa por Ormuz.

Houve forte impacto nas Bolsas. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,97%; o S&P 500, 1,51%; e o Nasdaq, 2,01%. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,44%, com recuo de 3,56% na semana. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,94%, com perda semanal de 4,88%.

O avanço da aversão a risco derrubou também a Bolsa no Brasil: o Ibovespa, principal índice do mercado local, caiu 2,25% ontem, fechando aos 176,2 mil pontos, o menor nível desde 22 de janeiro. Na semana, acumulou queda de 0,81%, ampliando a 6,66% a perda no mês de março.

“O Ibovespa se distanciou dos 180 mil pontos com os novos desdobramentos no conflito do Oriente Médio, que está entrando na quarta semana e com preocupações que chegam, agora, também à integridade da infraestrutura de petróleo e gás, sob ataque (de ambos os lados) na região. O dia foi bastante tenso no mercado”, disse Bruna Centeno, economista na Blue3 Investimentos.

Apesar do avanço nos preços do petróleo, as ações da Petrobras caíram mais de 2%, diante dos receios de ingerência do governo nas decisões da companhia para conter a alta dos combustíveis.

Acompanhando a valorização no exterior, o dólar disparou no mercado local. Após bater na máxima de R$ 5,32, fechou com alta de 1,79%, a R$ 5,30. Neste mês, moeda avança 3,41% em relação ao real. “Os BCs adotaram uma postura mais dura, com um grau maior de preocupação com a inflação, o que provocou uma reprecificação das curvas de juros. O dólar ficou mais forte nesse processo”, disse o gestor de fundos multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun. Com informações do portal Estadão.

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