Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de janeiro de 2026
A robótica ganhou um espaço ainda maior na edição desse ano da Consumer Electronics Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, mostrando uma nova fase do setor e que esse desenvolvimento vai colocar um robô muito perto de você em breve.
O grande “padrinho” dessa nova era da IA é Jensen Huang, CEO e fundador da Nvidia, a principal empresa que fornece chips e processadores para o desenvolvimento da tecnologia. Segundo Huang, os robôs com capacidade humana – e não apenas chatbots, mas robôs domésticos e industriais, que possuem corpo – estão muito perto de serem utilizados no dia a dia.
O mercado também parece ter começado a entender que a robótica será o próximo grande passo do desenvolvimento da IA. Na CES, um setor inteiro da feira foi dedicado aos robôs, com empresas como Siemens, Unitree e Boston Dynamics apresentando diferentes tipos de dispositivos. Segundo John Kelley, diretor do evento, nunca houve na história da feira um espaço tão grande dedicado para o segmento.
“O futuro da IA são os robôs, porque com ChatGPT ou Gemini, a IA pode pensar, dar um feedback intelectual. Com a IA integrada nos robôs, ela ganha movimento, ganha corpo e pode fazer muito mais coisas”, afirma um porta-voz da Wonik Robotics.
A empresa fabrica braços robóticos que podem ser usados na indústria, apresentou modelos com capacidade de identificar e pinçar objetos, além de versões com articulações e dedos. Para chegar ao resultado de movimentos semelhantes às mãos humanas, a companhia utiliza uma tecnologia que usa a função chamada VLA (Vision Language Action), na qual o robô reconhece os dados da imagem da câmera, determina a tarefa de forma independente e separa os objetos em caixas.
IA Física
Tudo isso deve ser proporcionado graças à IA física, um conceito de modelos de inteligências artificiais generativas que conseguem aplicar leis da física de forma real a seus produtos. Esse tipo de IA tem sido um dos desafios do setor, por exigir um grande uso de dados para treinamento e máquinas capazes de serem exaustivamente testadas.
“IA física é o termo que tem sido usado para IA que percebe, raciocina e age no mundo físico (robôs, veículos autônomos, manipulação). Na prática, a IA física utiliza algoritmos de aprendizado de máquina (como aprendizado profundo e aprendizado por reforço) para permitir que os robôs possam aprender a tomar decisões ideais de acordo com suas percepções do mundo”, explica o coordenador do curso de Engenharia de Robôs FEI e pesquisador em IA e Robótica, Danilo Perico.
Nesse tipo de IA, a ideia é que um modelo seja alimentado de dados, como vídeos, que ilustram como uma ação acontece na vida real – como a gravidade impacta no peso, manuseio e interação de um objeto no ambiente, por exemplo. A partir disso, um segundo modelo é responsável por interpretar esses dados e criar simulações com a mesma situação, chamados de dados sintéticos, sempre obedecendo às leis da física nos conteúdos gerados.
A Nvidia tem sido porta-voz dessa nova era da IA com a construção de processadores cada vez mais voltados para essa tecnologia. Além de defender a ideia, a Nvidia tem se mantido na liderança para viabilizar o pensamento de Huang. A empresa lançou nessa semana o Vera Rubin, seu novo sistema de processamento de IA. O supercomputador é um dos jeitos de alavancar essa capacidade maior de processamento de dados.
As parcerias de mercado também já têm adotado o conceito. A Siemens está desenvolvendo uma área de treinamento em robótica que usa sistemas que geram dados sintéticos e treinam robôs por repetição. A pesquisa tem sido feita com softwares da Nvidia.
Dificuldade
Se robótica sempre foi um braço forte da CES e a IA existe há anos, o que se tornou tão diferente nesse ano? Segundo especialistas, é a dificuldade de desenvolver modelos que possam trazer essas habilidades aos robôs que tem deixado o segmento em evidência. O fato de algumas empresas estarem começando a alcançar resultados em pesquisas que tentam colocar, efetivamente, um “cérebro” nos robôs é o grande sinal de que a IA está próxima do seu segundo grande momento na década.
O domínio da IA física e dos modelos que trazem esse conceito nos próximos anos deve ser o diferencial – e a feira de tecnologia esse ano representou uma corrida para mostrar que será possível que os aparelhos estejam disponíveis em um curto espaço de tempo.
Para Jensen Huang, a viabilidade dos robôs, mesmo com o desafio de construir esse tipo de tecnologia, já é o primeiro sinal de como o futuro deve se apresentar. Em uma coletiva de imprensa na CES, em que o Estadão esteve presente, o CEO da Nvidia foi perguntado quando esse tipo de robô poderá ser encontrado no nosso dia a dia. A resposta foi simples e curta: “ainda neste ano”. (Com informações do portal Terra e O Estado de S. Paulo)