Quarta-feira, 17 de junho de 2026

Romeu Zema é barrado pelo seu próprio partido em Santa Catarina

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) foi desconvidado de um encontro da legenda em Santa Catarina previsto para o início de julho.

A medida ocorre depois de o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro ter defendido o rompimento entre o PL e o Novo após o pré-candidato criticar o senador Flávio Bolsonaro por envolvimento com o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.

A informação foi publicada inicialmente pelo jornal O Globo. Sob reserva, integrantes da pré-campanha de Zema disseram ao portal de notícias g1 que o ex-governador soube do cancelamento do convite pela imprensa.

“Sou muito bem recebido pelos catarinenses, tenho um carinho muito especial por eles. Já estive várias vezes no estado e em breve estarei lá novamente”, afirmou Zema sobre o ocorrido.

Mais cedo, o presidente do diretório em SC, Kahlil Elias Assib Zattar, distribuiu uma nota a integrantes da legenda e líderes sobre a medida. No texto, a presidência informa que, após conversa de alinhamento com os principais dirigentes no estado, o Novo estadual optou por não manter o convite.

Ainda, o comunicado diz que, caso não haja uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, o Diretório de Santa Catarina deverá se posicionar contrariamente à indicação de Zema como candidato à Presidência.

Membros da alta cúpula do partido alegam que a decisão foi unilateral e afirmam que o clima é de indignação generalizada entre os filiados, que pedem a destituição de Kahlil.

Em 13 de maio, quando conversas de Flávio e o banqueiro foram divulgadas, o mineiro afirmou que era ‘imperdoável’ o pedido de dinheiro para financiar o filme Dark Horse – sobre a história de Jair Bolsonaro (PL).

Dias após o ocorrido, ele recuou e afirmou que o episódio era “página virada”. Depois voltou a criticar a postura do senador.

“Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, disse, ao apontar que nunca se reuniu com Vorcaro – mesmo com uma doação de R$ 1 milhão do pai do banqueiro ao partido Novo, em 2022, antes das investigações relacionadas ao banqueiro.

Apesar dos comentários sobre Flávio, na segunda (15), Zema indicou que a direita deverá se unir em um eventual segundo turno contra o PT. A fala ocorreu durante participação do ex-governador em evento em São Paulo.

Questionado sobre o desgaste na relação com aliados do campo conservador e sobre a reação de integrantes do bolsonarismo às declarações, o ex-governador afirmou que já disse o que tinha a dizer sobre o caso envolvendo Flávio e que sua posição é pública.

O fundador do Novo, João Amoêdo, expulso do partido após declarar apoio a Lula no segundo turno de 2022, criticou a situação. “O partido há muito tempo não tem governança nem princípios. Virou apenas uma legenda oportunista, linha auxiliar do bolsonarismo. Não me surpreendem a postura eleitoreira do diretório nem a submissão de Zema”, afirmou ao g1.

Eduardo Bolsonaro

No fim de semana, Eduardo Bolsonaro, irmão do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, publicou uma mensagem em rede social em que sugeriu um “rompimento geral” com o partido Novo.

A mensagem ocorreu em resposta a uma publicação de um internauta contendo um vídeo em que Romeu Zema aparece reforçando críticas que fez a Flávio Bolsonaro após as revelações envolvendo a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na entrevista ao canal “Brasil Paralelo”, Zema diz: “eu fiquei indignado e expressei a minha indignação e não mudo em nada. Para mim, quem anda com bandido tem que ser visto com cautela.” (Com informações do portal de notícias g1)

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