Quarta-feira, 08 de julho de 2026

RS registra a maior dívida média por empresas inadimplentes na Região Sul do País

Relatório divulgado pela agência Serasa Experian sobre inadimplência no País aponta uma dívida média de quase R$ 38 mil por empresa gaúcha nessa situação. Trata-se do maior valor dentre os três Estados da Região Sul do País. Já o número de pessoas jurídicas “negativadas” no Rio Grande do Sul foi superior a 1,54 milhão no período, atrás do Paraná (593,5 mil casos) e à frente de Santa Catarina (428,8 mil).

Ao todo, a Região Sul registrou 1.544.929 empresas inadimplentes, conforme boletim intitulado “Indicador de Inadimplência das Empresas”. As três unidades federativas somavam mais de 14,3 milhões de dívidas negativadas, resultando em uma pendência de R$ 51 bilhões.

Uma empresa é considerada inadimplente quando possui ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. Essa apuração é realizada com base nas notificações registradas até o último dia do mês de referência.

Cenário nacional

Já em âmbito nacional, o número de negócios brasileiros negativados manteve patamar recorde em maio de 2026, com mais de 9 milhões. No período, o volume de dívidas negativadas chegou a R$ 229,9 bilhões. Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494 e ticket médio de R$ 3.515,52.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que o resultado de maio reforça uma mudança importante na dinâmica da inadimplência empresarial:

“O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira”.

Do total de empresas que estavam negativadas em maio, 55,6% eram do setor de “Serviços”. Na sequência apareceram aquelas do “Comércio” (32,3%), “Indústria” (8,1%) e do setor “Primário” (0,9%). Camila complementa :

“Até recentemente, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora já se observa um ambiente menos favorável à geração de receita. Esse é um ponto importante, pois a desaceleração da economia tende a reduzir o faturamento justamente em um momento no qual as empresas ainda convivem com níveis elevados de endividamento. O processo de regularização financeira continua lento e desafiador”.

Análise por setores

Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com o segmento de “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (5,7%).

“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro”, prossegue Camila. “Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro. Em um ambiente de crédito mais restritivo, reorganizar esses passivos se torna mais difícil, o que contribui para a permanência de um estoque elevado de dívidas.”

Por regiões, a Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em maio de 2026, com destaque para São Paulo (3.094.295), seguido por Minas Gerais (887.261) e Rio de Janeiro (869.138). Na sequência apareceram estados como Paraná (593.565) e Rio Grande do Sul (522.521). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.

Micro e pequenas

Do total de empresas inadimplidas no país, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 59 milhões de dívidas que somaram R$ 198,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.177 e ticket médio de R$ 3.369.

“O quadro das micro e pequenas empresas chama atenção porque estamos falando de negócios que, em média, acumulam quase sete pendências financeiras ao mesmo tempo. Muitas vezes, o valor individual de cada dívida pode não parecer elevado quando analisado isoladamente, mas o acúmulo desses compromissos representa uma pressão significativa sobre o caixa. Isso ajuda a explicar por que o processo de retorno à adimplência tem sido mais lento para esse grupo”, conclui a economista-chefe da datatech.

(Marcello Campos)

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