Sábado, 13 de junho de 2026

RS tem alerta para raiva dos herbívoros em municípios de três regiões

A Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) emitiu alerta sanitário para raiva dos herbívoros nos municípios de São Francisco de Paula (Serra Gaúcha) e Caraá (Litoral Norte). No documento consta, ainda, o risco de evolução dos focos para localidades como Canela, Três Coroas, Riozinho e Maquiné, além de Rolante (Vale do Paranhana).

Neste ano, o Rio Grande do Sul registra ao menos 45 focos ativos de enfermidade em dez regiões. Trata-se enfermidade controlável de forma preventiva por meio de vacinação maciça dos animais, portanto a imunização e seu reforço são fundamentais para preservação de rebanhols bovinos, bubalinos, equinos, ovinos e suínos.

O coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, Wilson Hoffmeister, detalha: “Já temos registrados alguns focos nestas regiões da Serra e do Litoral desde o ano passado, por isso o alerta sanitário é importante para estimular os produtores a vacinarem os rebanhos e informarem a localização dos refúgios, auxiliando o trabalho das equipes da Secretaria na captura destes animais”.

Apenas as equipes dos Núcleos de Controle da Raiva Herbívora da Seapi estão capacitadas e vacinadas para realizar a captura dos animais. Em caso de identificação de refúgios, os produtores devem informar imediatamente a Inspetoria ou Escritório de Defesa Agropecuária do seu município.

Este é o terceiro alerta já emitido em 2026. Os dois primeiros tiveram como alvo Piratini e municípios vizinhos, em fevereiro, seguidos por Tiradentes do Sul e São Nicolau, em abril. Mais informações estão disponíveis para consulta no site agricultura.rs.gov.br.

Quadro drástico

A raiva é uma zoonose que tem como principal transmissor para os rebanhos o morcego hematófago (que se alimenta de sangue) da espécie “Desmodus rotundus”, conhecido popularmente como “morcego-vampiro”. Pode ser transmitida a humanos caso manipulem a boca ou a saliva de um animal infectado.

As diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária estipulam aplicação anual de vacina inativada em todo o rebanho, monitoramento de abrigos e controle direcionado de morcegos hematófagos por órgãos oficiais de defesa agropecuária.

O caso precisa ser notificado de forma imediata ao serviço veterinário oficial do Estado ao notar sintomas de engasgo ou marcas de ataques de morcegos. Nunca se deve tentar abrir a boca de animais com suspeita da doença.

A raiva dos herbívoros se manifesta-se predominantemente na chamada “forma paralítica”, de evolução drástica e 100% fatal após o início dos sintomas. Diferente de cães e gatos, que costumam apresentar agressividade extrema (raiva furiosa), os grandes animais de produção demonstram sintomas neurológicos de paralisia progressiva.

Os sinais clínicos evoluem rapidamente e levam o animal à morte em um período de 3 a 7 dias. O quadro clínico divide-se em fases, aqui resumidas com base nos sintomas:

– Fase comportamental: o animal se afasta do grupo e demonstra apatia profunda, de cabeça baixa e sem reação a estímulos. Há coceira e sensibilidade extrema na região da mordedura do morcego.

– Fase de evolução neurológica: dificuldade extrema para engolir, devido a paralisia da faringe, além de salivação abundante, espumante e viscosa. Também ocorrem alterações motoras, com andar cambaleante, descoordenação e tremores musculares, bem como ranger de dentes e movimentos desordenados da cabeça.

– Fase terminal (paralítica): o animal perde força nos membros traseiros e cai – assim que deitado, movimenta as simulando o ato de pedalar. A paralisia evolui para morte por parada respiratória.

(Marcello Campos)

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