Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de fevereiro de 2026
O Comitê de Investigação da Rússia afirmou neste domingo (8) que a inteligência da Ucrânia está por trás da tentativa de assassinato do tenente-general Vladimir Alekseyev, ocorrida na última sexta-feira (6), em Moscou. Segundo as autoridades russas, o principal suspeito do ataque foi preso em Dubai após fugir da capital russa horas depois do crime.
De acordo com o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), o homem deixou Moscou imediatamente após o atentado e embarcou em um voo com destino aos Emirados Árabes Unidos, onde acabou detido. O suspeito foi posteriormente entregue às autoridades russas. Um segundo envolvido, apontado como cúmplice, também foi preso, enquanto um terceiro teria fugido para a Ucrânia.
O Comitê de Investigação identificou o suposto autor como um homem de cerca de 65 anos, natural da região de Ternopil, no oeste da Ucrânia. Ainda segundo o órgão, ele teria entrado na Rússia em dezembro, “sob instruções dos serviços especiais de Kiev”.
Na madrugada de sexta-feira (6), o agressor disparou vários tiros contra Alekseyev dentro de um prédio residencial localizado na rodovia Volokolamskoye, em Moscou, e fugiu em seguida. O general foi submetido a uma cirurgia de emergência. No sábado (7), a agência estatal TASS informou que ele recuperou a consciência e que seu estado de saúde é considerado estável, embora os médicos mantenham cautela. Segundo as autoridades médicas, a vida do militar não corre perigo.
O Kremlin informou que o presidente Vladimir Putin conversou neste domingo com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e agradeceu a cooperação na captura do suspeito.
A Ucrânia nega envolvimento. Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou à agência Reuters que Kiev “não teve qualquer participação” no ataque.
Vladimir Alekseyev, de 64 anos, ocupa o cargo de primeiro vice-chefe da Diretoria Principal de Inteligência da Rússia (GRU). Em 2023, ele foi designado para negociar com Yevgeny Prigozhin, fundador do grupo mercenário Wagner, durante o motim liderado pela organização. À época, Alekseyev classificou a ação como uma tentativa de golpe e como “uma punhalada nas costas do país e do presidente”.
O general também figura em listas de sanções internacionais. Em 2016, foi alvo de medidas impostas pelos Estados Unidos por suposta participação em operações cibernéticas destinadas a interferir em processos democráticos. Em 2019, a União Europeia aplicou sanções relacionadas ao ataque com o agente nervoso Novichok, ocorrido em Salisbury, no Reino Unido, contra um ex-espião russo. Segundo a UE, Alekseyev foi responsabilizado pela posse, transporte e uso do agente químico no episódio.
O atentado contra Alekseyev é o episódio mais recente de uma série de ataques direcionados a figuras de alto escalão das Forças Armadas e dos serviços de segurança da Rússia, em meio à escalada de tensões entre Moscou e Kiev.