Sexta-feira, 03 de abril de 2026

Sábado de Aleluia: entre o silêncio e a esperança

Escrevo em primeira pessoa porque o Sábado de Aleluia sempre me provoca uma reflexão íntima. Para muitos, inclusive para mim em alguns anos, este dia pode parecer apenas parte de um feriadão prolongado, uma oportunidade de descansar, colocar assuntos em dia ou viajar. Mas quando me detenho sobre o seu verdadeiro significado, percebo que há algo muito mais profundo. O Sábado de Aleluia é o intervalo entre a morte de Cristo na Sexta-feira da Paixão e a sua ressurreição no Domingo de Páscoa. É um dia de silêncio, de recolhimento, de espera. É o vazio que antecede a vitória da vida sobre a morte.

Ser cristão, nesse contexto, não é apenas pertencer a uma igreja. No Brasil, a Igreja Católica reúne a maioria dos fiéis e carrega uma tradição litúrgica riquíssima, especialmente na Semana Santa, com a Vigília Pascal que acontece na noite do sábado. Mas ser cristão vai além da instituição. É sentir o toque de Jesus Cristo no coração, é deixar-se transformar pelo coração imaculado do homem santo que se entregou por amor. É viver uma fé que não se resume a ritos, mas que se traduz em gestos de compaixão, solidariedade e esperança.

Vivemos um tempo marcado por artificialidades. O dinheiro dita regras, a produtividade se tornou quase um dogma, e muitas vezes a espiritualidade é relegada a segundo plano. Quando isso acontece, o Sábado de Aleluia corre o risco de se tornar apenas mais um dia de descanso antes de recomeçar a rotina na segunda-feira. É como se a vida se resumisse a ciclos de trabalho e pausa, sem espaço para o mistério, para o silêncio, para o encontro com o divino. Mas eu acredito que esse dia nos convida a algo diferente: a parar, a refletir sobre o sentido da existência, a perceber que há mais do que metas e resultados.

Como desenvolvedor de negócios sustentáveis, penso que essa reflexão também se conecta ao modo como conduzimos nossas atividades econômicas e sociais. Sustentabilidade não é apenas uma estratégia de mercado, mas um compromisso com a vida, com o futuro, com o planeta. O Sábado de Aleluia, ao nos colocar diante da morte e da espera pela ressurreição, nos lembra que tudo o que fazemos deve estar orientado para a preservação da vida, não para a sua destruição.

E então chega o Domingo de Páscoa. A Páscoa é a celebração da ressurreição de Cristo, a vitória da vida sobre a morte, da esperança sobre o desespero. É o anúncio de que o amor é mais forte do que qualquer dor. Para mim, esse é o momento em que o silêncio do sábado se transforma em alegria, em canto, em luz. É a certeza de que, mesmo quando tudo parece perdido, há sempre uma possibilidade de recomeço.

Ao final dessa reflexão, percebo que o maior presente que todos nós recebemos não é apenas a fé, mas o próprio planeta em que vivemos. A Terra é o dom que sustenta nossa vida, é o espaço onde experimentamos o amor, a dor e a esperança. Preservá-la é um ato de fé, é reconhecer que a criação é sagrada e que temos a responsabilidade de cuidar dela. O Sábado de Aleluia me lembra que, assim como aguardamos a ressurreição, também precisamos esperar e trabalhar por um futuro em que o planeta seja respeitado e protegido. Porque sem ele, não há vida, não há esperança, não há Páscoa.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com

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