Sábado, 22 de janeiro de 2022

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Saiba como a China regula as plataformas digitais

Este mês de setembro começou, na China, com um grande simpósio promovido pela agência reguladora de entretenimento via rádio, televisão e online. Todo mundo foi — estavam lá estrelas, os principais executivos e, naturalmente, toda a burocracia responsável pelo setor.

A pauta em comum: moralizar a cultura de celebridades, principalmente no ambiente digital. A palavra “moralizar” traz em si uma carga que parece sugerir algo sexual.

A preocupação do governo chinês, porém, não é essa. A preocupação é comercial, passa por saúde mental e, naturalmente, por estabilidade política.

A China é uma ditadura. Assim, nunca serve como uma comparação perfeita. Mas é, também, uma ditadura única na história. Em teoria, é comunista. Porém adota economia de mercado. E tem uma indústria tecnológica formidável, equivalente apenas à norte-americana em sua inovação. É um país com uma imensa classe média, que vive um cotidiano até mais digital do que o nosso. Por conta disso, há muito o que aprender com sua experiência, com seu olhar. Neste momento, a China está agindo com mão pesada sobre a indústria digital. Dificilmente vamos querer repetir, aqui, o tipo de regulação que uma ditadura impõe. Ainda assim, é preciso prestar atenção em seu olhar.

O Partido Comunista Chinês começou 2021 indo atrás de Jack Ma, o fundador e CEO do Grupo Alibaba, um portento que representa por lá algo como Google e Amazon somados. Ma, presença fácil nos grandes eventos da indústria mundo afora, está calado desde dezembro do ano passado. Foi censurado, lembrado de quem manda no país. Foi só o primeiro sinal de que as coisas estavam mudando.

Nas últimas semanas vieram duas novas regras, ambas muito relevantes. Uma proíbe que menores de idade joguem videogames durante a semana e limita seu consumo a entre 20h e 21h de sextas, sábados, domingos e feriados. A outra é a que interfere na “cultura de celebridades”. O termo é este mas se refere ao que, no Brasil, temos chamado de influenciadores digitais. É claro que artistas entram no jogo, mas os mesmos limites valem para todos aqueles que atraem um número grande de seguidores nas redes sociais.

O argumento dos reguladores é que influenciam de forma negativa a população, principalmente em questões de imagem corporal, que também incentivam consumismo exacerbado. Quem deseja uma carreira artística, agora, pode usar os meios digitais. Mas, caso se envolva com publicidade e cruze a linha que o partido determinou, pode ver o fim da carreira.

Os argumentos oficiais do PCC qualquer um de nós compreende na hora. Da maneira como a internet se desenvolveu, ela se tornou viciante. Crianças e adolescentes estão entre os mais suscetíveis a se perder neste mundo. Em não raros casos, gastam todo seu tempo livre diante de uma tela, com o dedo frenético no controle de games ou girando sem parar na tela que flui. O TikTok que vemos no Brasil, na China, não pode mais funcionar como opera no Ocidente.

Este é um problema para as Big Techs americanas. Elas vinham resistindo à regulação por parte do governo com o argumento de que, controladas, não teriam como acompanhar suas equivalentes chinesas — e os EUA estão preocupados com a concorrência da China. Só que, agora, a regulação por lá é cada vez mais rigorosa.

Mas não custa observar: os protestos de jovens em Hong Kong durante o ano de 2020, mobilizados online para brigar por liberdade, também estão entre as razões de um governo ditatorial decidir agir. Não é isso que desejamos numa democracia — mobilização espontânea online pode e deve ocorrer. Como regular para evitar manipulação por grupos políticos? E atacar uma indústria que constrói seus produtos para viciar e vender? O tema é urgente. (O Estado de S. Paulo)

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