Domingo, 11 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de janeiro de 2026
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma petição ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que ele não contratou influenciadores digitais para promover ataques virtuais ao Banco Central e a outras instituições públicas.
Os advogados de Vorcaro também requereram a Toffoli que determine a instauração de outra investigação ‘para apuração da prática de toda e qualquer disseminação de fake news e crimes contra a honra relacionados ao presente caso, dos quais Daniel Vorcaro vem sendo o alvo preferencial’.
A defesa alega que ao banqueiro interessa que ‘não reste qualquer dúvida de que ele não tem qualquer envolvimento em disseminação de notícias falsas ou caracterizadoras de crimes contra honra de quem quer que seja, inclusive contra as instituições regulatórias e seus representantes’.
A petição a Toffoli é subscrita pelos criminalistas Pierpaolo Cruz Botini, Roberto Podval e Sérgio Leonardo. Eles decidiram se antecipar a alguma medida tomada pela equipe de investigação, após reportagens terem mostrado uma ação orquestrada nas redes sociais para atacar a credibilidade de instituições que atuaram contra os interesses do Banco Master. Por isso, eles apresentaram explicações ao STF para negar o vínculo do banqueiro com as ações virtuais.
Segundo a defesa, ‘há muito (Vorcaro) vê seu nome envolvido em inúmeras notícias veiculadas na mídia, sendo alvo permanente de campanha difamatória, com divulgação massiva de fake news contra si, lastreadas em correlações falsas e maliciosas, extrapolando o direito à informação, o que se intensificou nos últimos 12 meses, antes mesmo da deflagração da Operação Compliance Zero.”
“Alguns sites, blogs e afins praticaram e praticam verdadeiro ‘cyberstalking’, com perseguição sistemática a Daniel Vorcaro, causando constrangimentos e prejuízos reputacionais indeléveis.”
Os advogados afirmam que Vorcaro ‘não ignora a liberdade de expressão e de informação que protege a difusão de ideias, pensamentos e opiniões, que, diga-se, se podem ser livremente difundidas em seu prejuízo, também deveriam ter sua difusão assegurada se, de alguma forma, manifestam um tom crítico às medidas adotadas contra ele e a instituição financeira da qual era controlador’.
Nessa petição, eles disseram que a situação seria o contrário disso e relataram que Daniel Vorcaro tem sido alvo de uma “campanha difamatória” por meio de publicações em veículos de imprensa e redes sociais, que teriam se intensificado com a deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro em 17 de novembro – ele foi solto depois por ordem do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1).
A Polícia Federal já realiza uma análise preliminar sobre esse caso, para avaliar se há elementos que justifiquem a abertura de um inquérito para apurar os ataques virtuais ao BC e demais autoridades.
Na análise inicial que os investigadores estão realizando no telefone celular do banqueiro, apreendido em 17 de novembro no momento de sua prisão na Compliance Zero, foram encontrados diálogos dele ordenando a realização desse tipo de ação.
De acordo com fontes que tiveram conhecimento do assunto, Vorcaro repassava essas ordens a auxiliares, que não trabalham diretamente no quadro do Master. Ele pedia a promoção de informações positivas sobre o Master e determinava ataques virtuais a pessoas públicas que, na sua avaliação, estavam atuando contra seu banco.
As informações colhidas pela PF são anteriores à liquidação do banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro, porque isso só ocorreu depois que o celular foi apreendido. Mas, na época, já havia alguns ataques virtuais ao BC por causa da demora na análise da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), que foi vetada pelo órgão de fiscalização no inicio de setembro.
De acordo com essa análise preliminar, o modo de atuação de Vorcaro era semelhante aos ataques coordenados ao BC por causa da liquidação do Master, que ocorreram mais recentemente, na virada do ano.
Os contratos com influenciadores previam remuneração de até R$ 2 milhões, como informou o jornal O Globo. O Estadão mostrou contrato com as iniciais de Daniel Vorcaro (“Projeto DV”) e previsão de multa de R$ 800 mil para quebra do sigilo. Um dos envolvidos é administrador de empresas do jornalista de celebridades Leo Dias. Reportagem desta sexta-feira, 9, também informou que os influenciadores suspeitos de ataque ao BC publicaram conteúdos semelhantes quase ao mesmo tempo. (Coluna de opinião do portal Estadão, por Fausto Macedo).