Quinta-feira, 14 de maio de 2026

Saiba o quão rápido o Exército da Ucrânia pode começar a perder força sem as armas dos Estados Unidos

Sem bilhões de dólares em armas fabricadas pelos Estados Unidos, pode ser apenas uma questão de tempo até que as forças da Ucrânia vacilem contra a Rússia. O tempo exato, no entanto, dependerá da rapidez com que a Europa e a Ucrânia poderão compensar a falta de artilharia, mísseis, sistemas de defesa aérea e outros armamentos que, segundo autoridades do governo Trump, foram suspensos na segunda-feira.

Os EUA haviam se comprometido a fornecer até US$ 11 bilhões em armas e equipamentos para a Ucrânia neste ano. Parte desse material viria dos estoques do Pentágono, enquanto outra parte seria adquirida por meio de novos contratos de defesa, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, em inglês). Um ex-alto funcionário de Defesa americano, porém, disse na terça-feira que o valor real provavelmente estaria mais próximo de US$ 9 bilhões.

Apesar das promessas da Europa de apoiar a Ucrânia incondicionalmente — apoio que só se intensificou desde que o governo Trump começou a recuar —, seria praticamente impossível preencher rapidamente essa lacuna de armamentos. As indústrias de defesa europeias aumentaram a produção, mas de forma irregular. Além disso, cada país precisa manter os seus próprios estoques de armas.

— A Europa não pode substituir a ajuda americana — disse no mês passado o ex-vice-chefe do Estado-Maior da Ucrânia, tenente-general Ihor Romanenko.

A própria Ucrânia tem produzido drones e reforçado a fabricação de sistemas de artilharia nacionais, destinando 26% de seu orçamento para a defesa neste ano. No entanto, algumas das principais autoridades ucranianas alertam que o Exército enfrentará uma situação crítica se o apoio dos Estados Unidos não for retomado.

O parlamentar Fedir Venislavsky disse na terça-feira que Kiev tem uma margem de segurança de cerca de seis meses, mesmo sem a ajuda sistemática de Washington, embora tenha reconhecido que a situação será “muito mais difícil”. Alguns analistas, no entanto, consideram essa estimativa excessivamente otimista.

— Dentro de quatro meses, suas forças certamente começariam a fraquejar. Eles simplesmente não teriam munições e equipamentos suficientes para repor as perdas — afirmou Mark Cancian, ex-estrategista de armamentos da Casa Branca e um dos autores do estudo do CSIS.

Por que a Europa não é suficiente?

Dos US$ 136 bilhões em ajuda militar fornecidos pelos aliados à Ucrânia desde o início da invasão em grande escala pela Rússia, em fevereiro de 2022, até o fim do ano passado, quase metade veio dos EUA, segundo o Instituto Kiel para a Economia Mundial, organização de pesquisa alemã.

A participação americana diminuiu ao longo do tempo, à medida que as indústrias de defesa da Ucrânia e da Europa aceleraram a produção. Atualmente, apenas cerca de 20% do material militar fornecido à Ucrânia vem dos Estados Unidos, de acordo com estimativas recentes do Royal United Services Institute (RUSI), grupo analítico ligado às Forças Armadas britânicas. Esses 20%, porém, são os mais letais e importantes, segundo o vice-diretor-geral da organização, Malcolm Chalmers.

Como maior economia do mundo, os Estados Unidos simplesmente têm mais recursos à disposição. A Força Aérea do país, por exemplo, conta com 17 grandes aeronaves de vigilância eletrônica, enquanto o Reino Unido tem apenas três, segundo Douglas Barrie, especialista em aeroespaço militar do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Além disso, Washington fornece mais da metade de todos os caças e aeronaves de ataque da Otan, a aliança militar do Ocidente.

O que a Ucrânia está fazendo para se armar?

O primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal, afirmou nas redes sociais nesta semana que o Exército e o governo “têm as capacidades e as ferramentas para manter a situação na linha de frente”. Sem revelar detalhes sobre os estoques militares do país — provavelmente para evitar expor vulnerabilidades à Rússia —, ele disse que Kiev será capaz de produzir munições suficientes até o final do ano, e que já fabrica blindados e armas antitanque.

No ano passado, o país construiu mais de um milhão de drones de visão em primeira pessoa e pretende aumentar a produção em 2025. A Ucrânia também estaria tentando desenvolver sistemas de defesa aérea tão sofisticados quanto o Patriot, fabricado nos EUA, capaz de interceptar mísseis balísticos. Um único sistema Patriot, incluindo mísseis interceptores, lançadores, radares e centro de comando, custa cerca de US$ 1 bilhão e leva até dois anos para ser produzido.

No estudo intitulado “A Ucrânia está agora condenada?”, Cancian previu que, sem a ajuda militar dos Estados Unidos, Kiev seria forçada a aceitar um cessar-fogo desfavorável com a Rússia. Isso poderia significar a perda de um quinto de seu território e o abandono da aspiração de ingressar na Otan. Além disso, alguns aliados poderiam reduzir sua própria ajuda, concluindo que, sem o apoio americano, a guerra estaria perdida. As informações são do portal O Globo.

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