Sábado, 13 de abril de 2024

Saiba por quais crimes a deputada federal Carla Zambelli e hacker foram indiciados pela Polícia Federal

A Polícia Federal indiciou a deputada federal Carla Zambelli por dois crimes e o hacker Walter Delgatti Neto por quatro, no inquérito que apura a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O detalhamento dos crimes pela PF sinaliza o nível de participação dos dois no caso.

Ao indiciar os dois, os investigadores consideram que há provas suficientes de que eles cometeram crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.

No hackeamento do CNJ, foram inseridos documentos falsos no sistema do Judiciário, como uma falsa ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), imitando a assinatura dele mesmo. O objetivo seria levantar suspeitas sobre a segurança dos sistemas de justiça.

O que apontou a PF

– Carla Zambelli: há indícios de que Zambelli praticou os crimes de invasão de dispositivo qualificado e falsidade ideológica.

– Walter Delgatti: Para a PF, o hacker teria praticado os crimes de invasão de dispositivo qualificado, falsidade ideológica, falsa identidade e denunciação caluniosa.

Sistema do CNJ

Embora a PF não tenha encontrado trocas de mensagens entre Zambelli e Delgatti — ele relatou aos investigadores que apagava as conversas por precaução —, foram achados nos equipamentos pessoais de Zambelli, apreendidos em agosto, quatro documentos falsos inseridos criminosamente pelo hacker no sistema do CNJ.

Os documentos falsos são:

– Uma ordem de quebra do sigilo bancário de Moraes, gerada no computador de Delgatti no dia 4 de janeiro de 2023, às 22h22, e criada no celular de Zambelli apenas 22 segundos depois — o que deixa claro, segundo a PF, que “tão logo Walter baixou o documento do site do CNJ, ele o encaminhou para Carla, que o baixou/abriu”.

– Um recibo de bloqueio de bens de Moraes, no valor de R$ 22,9 milhões (o mesmo valor da multa que o ministro impôs ao PL por contestar a eleição). O arquivo foi criado no equipamento de Delgatti no dia 4 de janeiro, às 22h23, e no celular de Zambelli no dia seguinte, 5 de janeiro, às 16h14.

– Um segundo recibo de bloqueio de bens do ministro, no valor de R$ 500 mil, criado no equipamento de Delgatti no dia 25 de novembro de 2022, às 22h34. A PF não encontrou exatamente o mesmo arquivo com Zambelli, mas achou seu teor reproduzido no celular dela em dois arquivos com nomes distintos gerados na mesma data, um às 22h15 e outro às 22h19 — antes, portanto, de o hacker inserir a ordem de bloqueio no CNJ.

– E a minuta do mandado de prisão contra Moraes, criada no computador de Delgatti no dia 4 de janeiro, às 17h12, e no celular de Zambelli na mesma data, às 18h39 — ou seja, segundo a PF, “1 hora e 27 minutos depois, claramente se tratando do documento que foi publicado na imprensa”.

A minuta da falsa ordem de prisão contra Alexandre de Moraes foi publicada na imprensa na noite de 4 de janeiro, três horas após Zambelli recebê-la do hacker. A divulgação na imprensa alertou o CNJ sobre o hackeamento e motivou a investigação da Polícia Federal.

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