Segunda-feira, 30 de março de 2026

Saiba por que a Nasa está gastando US$ 100 bilhões para retornar à Lua

A Nasa realizou o pouso na Lua em 1969 com um objetivo claro desde o início: ser a primeira nação a colocar pessoas na superfície lunar.

Os Estados Unidos estavam envolvidos numa corrida espacial com a União Soviética, e o pouso da Apollo 11 ajudou a consolidar a liderança americana na competição para ser a superpotência geopolítica dominante no auge da Guerra Fria.

Agora, a Nasa está retomando seu programa Artemis. Já em 1º de abril, a agência enviará uma tripulação de quatro pessoas ao redor da Lua como um estudo preparatório para um pouso ainda nesta década.

Mas por que gastar quase US$ 100 bilhões para repetir uma jornada que a Nasa já fez? O objetivo do programa Artemis é menos óbvio do que o do programa Apollo — tanto que a justificativa para o retorno da Nasa à Lua depende em grande parte de quem responde à pergunta.

Pode ser uma questão de superar seu atual rival, a China. Pode ser uma questão de sustentabilidade — estabelecer uma base lunar para facilitar futuras explorações. Ou pode ser algo muito mais simples: a Nasa está retornando à Lua porque quer destinos para seus astronautas, e a superfície lunar é o próximo local lógico para demonstrar sua capacidade tecnológica.

“Os voos espaciais tripulados estão no cerne da instituição da Nasa desde o programa Apollo, e são a identidade de grande parte da agência”, disse Casey Dreier , chefe de política espacial da Planetary Society, um grupo de defesa do espaço.

O programa Apollo estabeleceu um precedente de que a NASA deveria se esforçar para ter uma iniciativa emblemática de voo espacial tripulado que impulsionasse a exploração espacial dos EUA. Após o Apollo, os esforços tripulados da NASA se concentraram no Ônibus Espacial e, posteriormente, na Estação Espacial Internacional, ambos em órbita baixa da Terra, em vez de órbitas mais distantes no espaço.

Com a aposentadoria do ônibus espacial e o fim da Estação Espacial Internacional (ISS) previsto para esta década, a Nasa vislumbra um futuro onde os humanos poderão viajar mais profundamente no sistema solar.

“Agora que, de certa forma, a Nasa já explorou a órbita baixa da Terra e desenvolveu o ônibus espacial reutilizável, o próximo passo é a Lua”, disse Dreier.

No entanto, há décadas existe uma tensão sobre qual deveria ser o próximo destino cósmico: retornar à Lua ou seguir em direção a Marte. Os programas para um ou outro destino frequentemente enfrentavam dificuldades para manter o financiamento devido aos recursos limitados e às ambições políticas em constante mudança.

Mas, em 2017, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para levar humanos de volta à Lua e, graças a uma combinação de equipamentos já em desenvolvimento e um impulso político constante, o programa Artemis persistiu. A Lua também está ao alcance dos astronautas com a tecnologia atual, ao contrário de Marte.

“Fomos à Lua e, desde então, queremos voltar”, disse Lori Garver, ex-administradora adjunta da Nasa durante o governo do presidente Barack Obama. “E a combinação de equipamentos e tecnologia nos permitiu finalmente estar em uma posição em que isso está ao nosso alcance.”

Marte, no entanto, continua nos planos da Nasa. A agência espera usar o programa Artemis como uma oportunidade de aprendizado sobre o que seria necessário para viver fora da Terra. As missões Artemis se concentrarão na coleta de dados científicos sobre a Lua e seus recursos, e, eventualmente, os astronautas construirão uma base lá.

O posto avançado lunar oferecerá aos astronautas um ambiente no espaço profundo para viver, trabalhar e realizar experimentos que poderão ser aplicados à vida em Marte.

A Nasa também afirmou que pretende usar o programa Artemis para criar uma “economia lunar”. A agência espera que os recursos da Lua, como o gelo presente em crateras geladas e os minerais lunares, possam ajudar a sustentar bases e talvez criar oportunidades de negócios para empresas. Qualquer indústria provavelmente estará voltada para a sustentabilidade da exploração lunar.

Embora o programa Artemis tenha começado no primeiro mandato de Trump, alguns dos principais veículos para o programa estão em desenvolvimento há décadas. Nesse período, o cenário geopolítico mudou: a China fez progressos significativos em seu programa espacial e planeja levar humanos à Lua até o final da década.

Para legisladores e defensores de políticas militares agressivas, isso aumentou a urgência do retorno. Alguns, incluindo o ex-administrador da Nasa e ex-senador Bill Nelson, chegaram a afirmar que a China poderia reivindicar recursos que impediriam os EUA de explorar a Lua. Analistas alertam ainda que a China poderia militarizar a Lua, colocando em risco os ativos espaciais americanos.

É uma situação semelhante à corrida espacial durante a Guerra Fria. Mas a Nasa tem como objetivo principal a exploração pacífica. E embora a retórica em prol da cooperação internacional tenha perdido força sob a atual administração, o programa Artemis tem se concentrado principalmente em demonstrar que os EUA e as nações aliadas ainda podem realizar grandes feitos juntos.

O programa Apollo estava “ancorado na segurança nacional, na segurança econômica, na ciência e no que eu chamaria de prestígio”, disse Swope. “Acho que esses são exatamente os mesmos motivos pelos quais continuamos querendo ir à Lua hoje.”

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