Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Saiba por que o Ministério da Fazenda está mais otimista com crescimento PIB do Brasil deste ano

O Ministério da Fazenda manteve em 2,2% a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, mas diz que indicadores econômicos divulgados recentemente colocam “viés de alta” para a estimativa. A projeção, que por enquanto é a mesma de novembro do ano passado, foi divulgada pela pasta no Boletim Macrofiscal.

Em entrevista coletiva para comentar a publicação, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, destacou que a estimativa foi calculada com base em indicadores divulgados até 13 de março. Posteriormente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que entre dezembro e janeiro a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e a Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS) indicaram crescimento, respectivamente, de 2,5% e de 0,7% para os setores. Ambos os resultados surpreenderam positivamente na comparação com as projeções de instituições financeiras, consultorias e gestoras de recursos.

De acordo com o secretário, os indicadores trazem “viés positivo” para as estimativas do Ministério da Fazenda – embora não seja possível precisar o impacto neste momento, já que os números não foram incorporados formalmente aos modelos econômicos da pasta.

“Muitas das casas [instituições financeiras, consultorias e gestoras] revisaram para cima as suas projeções depois dessas divulgações”, disse.

Segundo Mello, se os indicadores econômicos referentes a fevereiro “confirmarem um crescimento mais robusto” para o primeiro trimestre, isso deve gerar um “cenário mais positivo” para as projeções do Ministério da Fazenda. A pasta calcula alta de 0,7% do PIB no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores.

Em prazo mais longo, indicadores divulgados desde novembro, quando foi publicado o Boletim Macrofiscal anterior, “trazem perspectiva positiva” para diversas variáveis econômicas.

“As perspectivas para o PIB do Brasil desde o fim de 2023 subiram na esteira dos bons dados divulgados”, disse.

De acordo com ele, a mediana de mercado para o crescimento da atividade econômica em 2024, medida pelo Boletim Focus, “tem se movido mais rapidamente [para cima] do que no ano passado”. A projeção sobe há cinco semanas e atualmente está em 1,8%. Além disso, “muitas” instituições financeiras, consultorias e gestoras “já possuem projeções acima de 2%, em alguns casos chegando a 2,5%”.

As expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) “estão se movendo” para baixo. O Ministério da Fazenda revisou marginalmente para baixo a sua projeção, conforme publicado ontem, de 3,55% para 3,5%. No caso do Focus, a mediana cai há duas semanas, de 3,82% para 3,79%.

Ele destacou como “boas notícias” dos últimos meses foram a “queda expressiva da curva de juros” e o fato de o mercado de trabalho seguir “resiliente”, como mostram a abertura de postos formais de emprego e números “recordes na massa salarial”.

Mello também chamou atenção para o aumento das concessões de crédito bancário e a redução da inadimplência. Ainda lembrou que as emissões de debêntures, depois de turbulências no começo de 2023 causadas pela Americanas, iniciaram este ano em “um patamar maior, próximo a 2022”.

Apesar de a projeção para o PIB de 2024 ter sido mantida, “houve revisão nas estimativas” por setor. Segundo a SPE, “o crescimento em 2024 deverá ser mais equilibrado” do que em 2023, “baseado no avanço de setores cíclicos e na expansão da absorção doméstica”.

No caso da agropecuária, a estimativa caiu de alta de 0,5% para queda de 1,3%, “refletindo, principalmente, a redução nos prognósticos para a safra em 2024”. No caso dos serviços, houve elevação da projeção de crescimento, de 2,2% para 2,4%, assim como no caso da indústria (de 2,4% para 2,5%).

“O setor [industrial] deverá ser impulsionado pela recuperação da produção manufatureira e da construção, com reflexo nos investimentos pela ótica da demanda”, disse.

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