Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026

Saiba qual o principal motivo que leva imigrantes a tentar a vida nos Estados Unidos

A intervenção do governo Donald Trump na Venezuela, no início do ano, com a prisão de Nicolás Maduro, deve reduzir o fluxo de imigrantes latino-americanos para os Estados Unidos. E tende também a aumentar o medo de prisão, separação da família e deportação entre os que já estão nos Estados Unidos.

A redução da entrada de latino-americanos e pessoas provenientes de outras regiões do mundo não vai, porém, se prolongar por muito tempo porque, quando a economia americana voltar a crescer de forma expressiva, voltará a crescer a necessidade de mão de obra estrangeira. As afirmações são da brasileira Gabrielle Oliveira, professora da cadeira Jorge Paulo Lemann da Universidade Harvard, voltada para assuntos de educação e estudos brasileiros.

No caso específico dos brasileiros, não é desprezível o número dos que já tinham optado por voltar ao nosso país no ano passado. Muitos ficaram surpresos por terem passado a ser alvo do serviço de imigração americano. Havia um certo consenso em grupos de brasileiros de que eles estavam “protegidos” por trabalharem duro e não terem envolvimento com crimes, como o tráfico de drogas.

Além disso, afirma Gabrielle Oliveira, muitos estavam (e estão) alinhados com o que Trump defende em assuntos como família, religião, aborto, direitos das minorias. Mas essa comunhão de ideias e a correção no modo de vida não têm poupado os imigrantes brasileiros ou de outras nacionalidades.

Dados oficiais mostram que o número de brasileiros deportados pelo governo de Washington bateu recorde em 2025 e praticamente dobrou em relação ao ano anterior. Ao menos 3.294 imigrantes do Brasil foram mandados de volta, o que representa um aumento de 99,8% em comparação com os 1.648 expulsos em 2024, segundo dados da Polícia Federal e do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

Calcula-se que cerca de 2 milhões de brasileiros vivem nos EUA, legal e ilegalmente. Muitos foram barrados na entrada no país e agora esperam uma decisão judicial que permita (ou não) que continuem nos EUA, e por isso não podem ser considerados ilegais.

Em agosto do ano passado, divulgou-se que a população estrangeira nos EUA (tanto residentes legais quanto aqueles em situação irregular) diminuiu em quase 1,5 milhão, a primeira queda desde a década de 60. Em junho, o país abrigava 51,9 milhões de migrantes, ante 53,3 milhões seis meses antes. Os cálculos são do Pew Research Center com base em dados do censo. E essa tendência deve se manter neste ano.

O Escritório de Orçamento do Congresso estima que a saída de migrantes estrangeiros poderá superar em mais de 900 mil a entrada. Na quarta-feira dia 14, ficou ainda mais claro o propósito do governo americano em relação à entrada de estrangeiros: o Departamento de Estado suspendeu o processamento de solicitações de vistos de imigração para 75 países, inclusive o Brasil (o que não se aplica a turistas).

Especializada no tema da imigração, Gabrielle Oliveira afirma que a ofensiva de Trump na Venezuela e suas ameaças de intervenção em outros países tendem a acentuar o clima de medo já instalado entre imigrantes latino-americanos desde o início do seu governo.

Ao Valor Econômico, Oliveira diz que, de forma geral, os latino-americanos instalados em território americano consideram a intervenção de Trump na Venezuela uma conquista para eles na medida em que, majoritariamente, saíram dos seus países por divergirem do seu governo, o atual ou anteriores.

O medo, hoje, é em relação ao que a radicalização da política externa do governo americano poderá acarretar para suas vidas, na prática.

“Famílias migrantes que foram detidas e/ou separadas na fronteira se apegam à promessa de uma educação nos EUA como um sinal de estabilidade e prosperidade para seus filhos. Embora as famílias migrantes vivenciem rupturas, violência, medo e incerteza antes de partirem e durante suas jornadas rumo ao norte, a ideia de uma escola nos EUA representa, tanto para pais quanto para filhos, um ambiente seguro e constante onde as oportunidades existem”, explica.

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