Terça-feira, 21 de maio de 2024

Saiba quem estava presente na reunião com Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu em 5 de julho de 2022 ao menos 30 integrantes de seu governo para discutir as eleições daquele ano. O encontro estava sendo gravado, porém, o seu conteúdo só se tornou público na sexta-feira (9) depois de determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

O encontro foi organizado com o objetivo de reforçar o discurso de desinformação contra a Justiça Eleitoral, sob o argumento de que as Forças Armadas e órgãos de inteligência do governo teriam provas de fraudes. Participaram da reunião, além de Bolsonaro, os ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI), Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (Defesa), Mário Fernandes (Secretaria-Geral) e Walter Braga Netto (ex-Casa Civil), que também foi postulante a vice na chapa do então presidente naquele ano.

A gravação foi apreendida em um computador do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e embasou a operação Tempus Veritatis, deflagrada no dia 8, que investiga uma tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro na Presidência.

Presentes

Entre os presentes no encontro estavam Walter Braga Netto (ex-Casa Civil), Mário Fernandes (Secretaria-Geral), Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (Defesa), Augusto Heleno (GSI) e Anderson Torres (Justiça).

A maior parte da reunião é conduzida por Bolsonaro, que inicia questionando o acordo com o TSE para o combate à desinformação nas redes, as pesquisas eleitorais, a lisura do Tribunal e cobra de ministros que espalhem desinformações.

“E eu tenho falado com os meus 23 ministros. Nós não podemos esperar chegar 23, olhar para trás e falar: o que que nós não fizemos para o Brasil chegar à situação de hoje em dia”.

Na sequência, Bolsonaro afirma que agendou reunião com embaixadores para “mostrar o que está acontecendo”. O encontro com diplomatas culminou com a inelegibilidade do ex-presidente pelo TSE .

“Porque os cara tão preparando tudo, pô! Pro Lula ganhar no primeiro turno, na fraude. Vou mostrar como e porquê. Alguém acredita aqui em Fachin, Barroso, Alexandre de Moraes? Alguém acredita?”

Como foi

Em sua fala, o ministro da Justiça, Anderson Torres, repete a orientação de Bolsonaro para propagar informações falsas, insinua que a PF teria feito sugestões de aperfeiçoamento do sistema eleitoral que não foram acatadas pelo TSE e faz conexão sem provas entre PT e PCC.

Ele ainda afirma que a PF seria “incisiva” nos questionamentos à lisura do processo eleitoral. “Eu quero que cada um pense no que pode fazer previamente porque todos vão se f…”, diz Torres.

No momento de sua fala, Heleno propõe “infiltrar agentes nas campanhas eleitorais”. Segundo a PF, a proposta teria sido rejeitada por Bolsonaro, que solicitou que o tema fosse tratado depois. A fala do ex-ministro do GSI, entretanto, não deixa clara essa intenção. Ele fala em “virar a mesa” e “dar um soco na mesa” antes das eleições.

Paulo Sérgio Nogueira ataca o TSE, comparado a um inimigo, e diz que Comissão de Transparência Eleitoral é “pra inglês ver”.

O ministro da Defesa afirma que haverá reuniões “decisivas pra gente ver o que pode ser feito; que ações poderão ser tomadas para que a gente possa ter transparência, segurança, condições de auditoria e que as eleições se transcorram da forma como a gente sonha!”

Bolsonaro propõe a divulgação de uma nota conjunta em que os órgãos ligados à Comissão Eleitoral defenderiam que “a lisura das eleições são simplesmente impossíveis de ser atingidas”.

Mário Fernandes, da Secretaria-Geral de Governo, cobra um prazo para que o TSE autorize o acompanhamento das eleições pelos Três Poderes e, em virtude da proximidade do pleito, pede “uma alternativa” antes da votação e “dentro da normalidade”, caso isso não ocorra.

Augusto Heleno conta ter conversado com o diretor-adjunto da Abin sobre a possibilidade de infiltração de agentes na campanha eleitoral e adverte para o risco de que eles sejam identificados. É, então, interrompido por Bolsonaro, que pede para que “conversem em particular” sobre a atuação da Abin.

“Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições”.

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