Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de janeiro de 2026
Pesquisadores da Universidade de Manchester concluíram que o sentimento de sobrecarga e infelicidade das mães — e não dos pais — está diretamente associado a sentimentos de nervosismo, preocupação e infelicidade dos filhos.
O estudo, publicado na revista científica BMJ Open, analisou dados de mais de três mil famílias entre 2009 e 2022, com base no Estudo Longitudinal de Domicílios do Reino Unido. A pesquisa produziu uma série de mapas — chamados de redes — que descrevem como sintomas de ansiedade e depressão em pais e filhos, até os 16 anos, se conectam e evoluem ao longo do tempo.
Além disso, mapas de rede transversais envolvendo 8.795 famílias permitiram identificar associações independentes entre a saúde mental dos diferentes membros da família. Embora pesquisas anteriores tenham se concentrado principalmente em relações isoladas entre mãe e filho, este é o primeiro estudo a analisar, de forma conjunta, o papel que ambos os pais podem desempenhar na saúde mental familiar, tanto de maneira simultânea quanto longitudinal.
Os resultados indicaram que os sentimentos de sobrecarga materna afetam o estado emocional das crianças, especialmente no que diz respeito à preocupação. Esse sentimento, por sua vez, tende a se repetir, agravando ainda mais a própria saúde emocional dos filhos ao longo do tempo.
A influência da saúde emocional das mães sobre os filhos diminui à medida que eles crescem, o que, segundo os pesquisadores, reflete o processo natural pelo qual adolescentes transferem gradualmente seu apego primário dos pais para outros vínculos sociais.
“Sabemos que a saúde mental das crianças é moldada dentro da família, por meio de genes compartilhados, comportamentos dos cuidadores e da dinâmica entre irmãos. As mães geralmente se envolvem mais na criação dos filhos e passam mais tempo com eles do que os pais, o que aumenta a probabilidade de influenciarem o desenvolvimento e a vida emocional das crianças”, afirmou Yushi Bai, autor principal do estudo e professor da Universidade de Manchester.
A pesquisa também mostrou que o estado emocional dos pais está associado à saúde mental das mães nas análises transversais, mas não apresentou relação direta com a saúde mental dos filhos.
“Suspeitamos que isso possa ser explicado pela divisão tradicional dos papéis parentais, em que expectativas sociais frequentemente posicionam as mães como principais cuidadoras e organizadoras dentro das famílias”, disse Bai.
Segundo os autores, os sintomas emocionais dos pais podem afetar o bem-estar das crianças de forma indireta, ao influenciar a saúde mental materna.
“Dado o papel central da família na formação e manutenção da saúde mental, intervenções e políticas públicas devem considerar como o ecossistema de saúde mental familiar funciona. Este estudo demonstra o potencial de estratégias voltadas ao apoio às mães e à redução da ansiedade materna, que podem ter maior impacto na melhoria da dinâmica familiar e na redução do risco de problemas de saúde mental em crianças”, afirmou Matthias Pierce, coautor do estudo e também professor da Universidade de Manchester.
(Com informações do jornal O Globo)